Li no excelente blogue De Rerum Natura , num post de Carlos Fiolhais , o seguinte: «De facto, o candidato a rei é autor de um opúsculo laudatório do Beato Nuno, onde se pode ler esta pérola: “Q uando passava de Tomar a caminho de Aljubarrota, a 13 de Agosto de 1385, D. Nuno foi atraído a Cova da Iria, onde, na companhia dos seus cavaleiros, viu os cavalos do exército ajoelhar, no mesmo local onde, 532 anos mais tarde, durante as conhecidas Aparições Marianas, Deus operou o Milagre do Sol» (“D. Nuno de Santa Maria - O Santo” , ACD Editores, 2005).»
Fiquei maravilhado com o que li e, sobretudo, por saber que o Sr. Duarte Pio escreve.
O Sr. Duarte Pio, suíço alemão, da família Bourbon, imigrante nacionalizado português pela conivência de Salazar e pelo cumprimento do Serviço Militar Obrigatório, podia emprestar a imagem às revistas do coração mas precaver-se contra a ideia de publicar opúsculos.
Claro que não é necessário saber falar para escrever e, muito menos, ...
Comentários
Mostra um tacanho espírito contabilista, onde, por exº, os custos sociais e humanos são ignorados. O neo-liberalismo, puro e duro, a invadir todos os quadrantes da sociedade...
Gostei! Uma gravidez indesejada ou acidental é exactamente isso!
A jocosidade, sobre a Albania e Cuba está, no mínimo, démodé.
Para alguns beatos, a SIDA é um castigo de Deus. Fossem castos!
Por isso não devem ser tratados com o dinheiro dos impostos.
Ouvir António Borges, o ultra do liberalismo, é sentir arrepios de uma sociedade feita à medida do seu pensamento.
Com um D. Sebastião desses ninguém dormiria descansado.
A teoria do beato e da SIDA é nova para mim e como parece ser engraçada peço ao Senhor Esperança que me faça o favor de a expor. Palavra de honra que estou curioso!
Vergonha tenho eu de algum dia viver numa sociedade onde se fecham maternidades, onde há pessoas que não cumprem as regulamentações terapêuticas por falta de dinheiro,..., e onde, triste sina, o estado pensa gastar 30 milhões de euros em abortos.
"Uma gravidez indesejada é uma doença. A única resposta que lhe posso dar é mandar o senhor estudar."
Devemos ser honestos nas preposições. Nenhuma gravidez é uma doença. Pode é decorrer com
complicações(ectópica, mola, etc.) O seu acrescento de "indesejada" é das duas uma:
redundante
ou, pretende servir objectivos que oculta.
À sua escolha.
Já agora gostaria de saber qual a posição relativamente a:
- o Estado deve custear as intervenções cirurgicas e/ou tratamentos farmacológicos a FUMADORES?
- o Estado deve suportar a assistência cardiológica aos cidadãos OBESOS?
- O Estado deve assumir o tratamento de cidadãos ALCOÓLICOS?
- O estado deve cuidar de TOXICODEPENDENTES?
E por aí adiante...
Os cuidados selectivos e condicionados são um embróglio social e assistencial.
Já pensou nos custos diferidos resultantes de uma IVG feita num vão de escada?
A questão levantada à volta dos custos das IVG's esvazia todo o sentido do referendo, isto é, no caso do SIM ganhar, as portuguesas de fracos recursos económicos (não são assim tão poucas) ficariam de fora. Continuariam a fazê-lo em pardieiros - só não seriam julgadas...
Por outro lado, é obvio que em caso de vitória do SIM o Estado terá de tomar a responsabilidade de viabilizar os abortos que se vierem a fazer.
Já pensou se os custos de abortos de "vão de escada" realizados no último ano excederá os 20 ou 30 milhões de euros de que se fala? Será isto legítimo quando se assume como necessários cortes no nosso sector público?
No entanto não é isso que está em questão, pois ao abrigo da lei actual já se realizam abortos em hospitais ´públicos. Espero mesmo que esta situação persista, desde que tenha como base as causas já consagradas. No fundo, não concordo que a realização de um aborto seja um capricho...
Em relação à criminalização do aborto gostava que me elucidasse em relação a dois pontos: quantos abortos dizem que se realizam clandestinamente em Portugal? Quantas mulheres foram julgadas e condenadas como criminosas? Parece-me uma falsa questão.
Anónimo:
Ou foram julgadas mulheres ( e condenadas) e a lei é injusta,
ou não foram,
e a lei é inútil. Pior, uma lei que não se cumpre é um exemplo deplorável.
Como sabe, esta asserção, está depende do conceito de saúde.
Para mim, são doentes. Queria mesmo que continuassem a ser encarados como doentes e não como clientes.
Acontece, por outro lado, que o que está em questão neste referendo não é a discriminalização do aborto mas sim a sua total liberalização até x semanas. Claro que concordo consigo quando afirma que uma lei que não é aplicavel é obsoleta, mas essa é outra questão.
O que nos separa é a sua tentação para englobar determinadas situações em doenças quando, em minha opinião, o que seria importante era enquadrá-las no conceito de SAÚDE.
Como sabe (fala tanto em estudar), saúde não é a ausência de doença.
Ou, como diria Alexis Carrel, não há doenças, há doentes.
"O que nos separa é a sua tentação para englobar determinadas situações em doenças quando, em minha opinião, o que seria importante era enquadrá-las no conceito de SAÚDE."
Não estivessem os dois comentários assinados por si, Senhor E-pá, e eu diria que estávamos na presença de um impostor. Passo a explicar:
Quem enquadrou fumadores, obesos e alcoólicos no conceito de doença não fui eu, foi o Senhor.
Por outro lado, não sei se,ou não estudou, ou estudou mal. "saúde não é ausência de doença"?! Está enganado porque está fora do contexto. Saúde é o oposto de doença, o que acontece, e essa frase confirma-o, é que subjacente a uma doença,vá lá, orgânica, está sempre um processo mental que corresponde à maneira como cada um reaje à doença. Acontece que este processo, que difere de pessoa para pessoa, é por isso variavel mas não deixa de ser patológico. Fala-se assim de sintomatologia psicossomática. Por isso se diz "que não há doença mas sim doentes", e bem.
Acontece que nada disto vinha à discussão e por isso eu volto a perguntar: concorda em viver numa sociedade que não pode facultar em maior escala recursos de cura, ou paliativos, a pessoas doentes, e se propõe a financiar, com despesas de várioa milhões de contos, os custos de abortos?
Não responda por favor que devia financiar tudo, senão qualquer dia estamos a "pagar" os nossos alimentos em senhas!