Interrupção Voluntária da Gravidez

Registo a intolerância dos argumentos, legítimos, é certo, dos adeptos do movimento pró prisão, vertidos nas caixas de comentários do «Ponte Europa».

Aos que invocam Deus, apresentam motivações religiosas e chamam bebés aos fetos, deixo duas perguntas:

1 – Por que motivo a Igreja não baptiza os fetos abortados?

2 – Qual a razão para lhes negar a extrema-unção?

Comentários

Anónimo disse…
A fauna dos fanáticos do NÃO (parece impossível mas continuam a manifestar-se como se estivéssemos a viver há um século atrás) apareceram agora (pagos pelo BCP) com outdoors a clamar que não querem financiar clínicas que praticam a IVG. Com os meus impostos, não obrigado!
Esquecem-se estes inteligentes que, na situação actual, os seus e meus impostos pagam uma factura muito maior pelas emergências clínicas que vão parar aos hospitais, em resultado de abortos de vão de escada.
Esquecem-se de que, em termos estritamente financeiros, para não falar nos sociais e humanos, a IVG em meio clínico apropriado resulta mais BARATA do que o absurdo actual.
De resto, da banda da igreja católica, tem aparecido argumentos tão ultramontanos que são de estarrecer.
Anónimo disse…
Não transformem a questão numa luta contra a Igreja católica. Faz-vos esquecer do que está em causa!
Anónimo disse…
Carlos Esperança

A minha esposa perdeu um bábé ás 24 semanas de gestação e estou grato por nessa altura não ter ainda feito a escolha do seu nome ou sequer conhecido ainda o seu sexo.

Estou grato também por a Igreja Católica não exigir as formalidades que indicou, ou mesmo a realização de um enterro.

Estou grato porque comprendo agora que estas questões aparentemente tão simples atenuaram enormemente a dor.

Mas existe nesta gratidão uma ponta de egoismo da qual me envergonho, percebe o que quero dizer?!

Não seja a mulher egoista ao ponto de poder livremente decidir pelo desenvolvimemto ou não o feto, sem respeito pelo mesmo, pelo pai e pela restante familia.
Anónimo disse…
Anonymous Sex Jan 05, 07:42:26 PM:

Estas coisas não são a preto e branco. Magoam sempre, sejam quais forem as circunstâncias.

É apenas, perante o desejo de vingança contra as mulheres, pela prisão que querem manter, que me faz optar pelo SIM.

Mas a IVG, ou não voluntária, é sempre uma dor e uma tristeza.

Apenas não quero que ao sofrimento se acrescente a prisão.
Anónimo disse…
A campanha ainda não começou e eu já não posso ouvir falar nisto.

Só sei é que Portugal vai continuar alegremente hipócritazinho e "defensor da vida".

Isto só lá vai com uma intervenção Estatal ou da União Europeia, mesmo.

Diogo.
Anónimo disse…
Que se vote em livre consciência no dia 11 de Fevereiro de 2007.
SÓ, e sem mais nada de "argumentações éticas" ($$$)...
Anónimo disse…
Uma posição muito bonita, mas que só é utilizada quando dá jeito.

Diogo.
Vítor Ramalho disse…
Se nós somos pró prisão você é pró assassínio de inocentes.
Anónimo disse…
Antes de mais gostava q algum inteligente me explicasse o q é uma interrupção. É q para mim é um intervalo, não uma ruptura. O aborto é uma RUPTURA da gravidez!Depois, aos ortodoxos da modernidade(quem gosta de chupar com tudo o que é moderno,porque sim),gostava de lhes dizer que quem defende o "não" também é contra os abortos clandestinos.Para mim há uma terceira hipótese que se chama prevenção e aconselhamento familiar mas dá muito trabalho...O facto de existirem abortos clandestinos não significa que eu os tenha de aceitar. Não tarda estamos a aceitar homicidas e pedófilos porque existem e são uma evidência... Vota NÃO!A vida é bonita
Anónimo disse…
Gostava também de dizer à pessoa que preferia viver um século à frente, já que toma por parvo quem vivia há um século atrás(que falta de inteligência e de bom-senso), e já que gosta e sabe fazer contas, que me dissesse quanto é que o estado,isto é "nós",gastou o ano passado em vítimas de abortos clandestinos mal sucedidos. E depois compare... E pode invocar à vontade o factor financeiro pois é com dinheiro que se trata a "saúde" a quem realmente está doente e não faz por o escolher, infelizmente todos nós. Triste esta sociedade que quer investir mais em quem decide abortar do que a quem decide criar um filho. Enfim...
Anónimo disse…
O que dá muito trabalho é ver a realidade e lidar com ela de frente, apostando-se (ou dizer que se aposta) em soluções que só se ouvem falar na altura das campanhas do "não".

Não sabia que os países que têm o aborto legalizado são os que menos apostam no planeamento familiar e em educação e bom senso (Nórdicos, para começar).

Diogo.
Anónimo disse…
Mas que estigma vem a ser este que mordisca toda a esquerdinha e a faz tomar como exemplo para tudo os paises do norte da Europa? Será um vírus? Estou convencido que a malta lá de cima só deixou de ser bárbara quando se passou a preocupar mais consigo própria e menos com os outros. Mas está bem...
Para mim planeamento sexual e educação sexual são conceitos distintos. Em relação ao suposto "alheamento" da pessoas do NÃO fora da altura de campanha estas rotundamento enganado. É que enquanto provavelmente tu andas a gritar "sim ao aborto", há pessoas que criaram variadas organizações de apoio a mães adolescentes, de apoio e aconselhamento a pessoas que querem(muitas vezes quase moralmente obrigadas)fazer abortos,para dar dois exemplos.é preciso não esquecer que o que aqui está em questão é a banalização do aborto, pois este já pode ser efectuado em várias e legítimas situações. O que não pode é ser um capricho..
Escusado será dizer que sou, como penso que é qualquer pessoa, contra criminalização do aborto. A verdade é que esta é, na realidade, uma falsa questão. quantas mulheres foram criminalizadas este ano? Para quem disparata que se fazem abortos às centenas de milhar ao ano...
P.S.:deixem lá os suecos em paz que eles não nos fizeram mal nenhum. úvido mesmo que se lembrem muita vez de nós...
Anónimo disse…
"Mas que estigma vem a ser este que mordisca toda a esquerdinha e a faz tomar como exemplo para tudo os paises do norte da Europa? Será um vírus?"

Antes fosse. Mas só olhamos para a Europa quando nos dá jeito. Não quero comparar (com defeitos e virtudes) o norte com o sul, ainda muito ligado ao catolicismo medíocre e a um humanismo falso.

"Estou convencido que a malta lá de cima só deixou de ser bárbara quando se passou a preocupar mais consigo própria e menos com os outros. Mas está bem... "

E fazem eles bem. No entanto, acho que se preocupam muito mais com a comunidade (o seu sentido), do que alguma vez a mentalidade latina se vai preocupar.

"Em relação ao suposto "alheamento" da pessoas do NÃO fora da altura de campanha estas rotundamento enganado. É que enquanto provavelmente tu andas a gritar "sim ao aborto", há pessoas que criaram variadas organizações de apoio a mães adolescentes, de apoio e aconselhamento a pessoas que querem(muitas vezes quase moralmente obrigadas)fazer abortos,para dar dois exemplos."

Acho muito bem que existam essas organizações, e deve lá ir quem quer ter um filho, e não quem não quer, e tem de ser mentalizado que TEM de o ter.
Não vale a pena ficar-se a discutir a existência ou não de organizações, isto porque a mim basta-me ver a miséria social dos países "defensores da vida" e dos que apoiam a "morte de inocentes".

"é preciso não esquecer que o que aqui está em questão é a banalização do aborto, pois este já pode ser efectuado em várias e legítimas situações. O que não pode é ser um capricho.. "

Pode ser efectuado no papel. Aliás, em termos sociais estamos muito bem, a começar pelas Casas Pias em que ficam as crianças deitadas fora, por pais que não querem cuidar deles, ou de mulheres que morrem ou ficam com lacunas graves, por fazerem abortos em vão de escada.
Chama "capricho", eu chamo-lhe uma mulher/casal, por uma razão a nós alheia, poder decidir sobre si. Não sabemos a vida das pessoas, e não temos o direito de apontar o dedo e fazer juízos de valor.

"Escusado será dizer que sou, como penso que é qualquer pessoa, contra criminalização do aborto. A verdade é que esta é, na realidade, uma falsa questão. quantas mulheres foram criminalizadas este ano? Para quem disparata que se fazem abortos às centenas de milhar ao ano..."

Nem toda a gente é contra a criminalização, e acho que esta é uma das realidades do referendo.
Em relação ao número de mulheres criminalizadas, não interessa; nem uma deveria, pelo menos não com o meu dinheiro. Pagarem a polícias para irem às casas das pessoas, verem se abortaram ou não? É disto que trata o referendo. No coments... Ricas sociedades moralistas.

"P.S.:deixem lá os suecos em paz que eles não nos fizeram mal nenhum. úvido mesmo que se lembrem muita vez de nós... "

E fazem eles bem, pelo andar da carruagem ;) (que não é de agora)

Diogo.
Anónimo disse…
fiquei a saber que o Senhor Diogo não é a favor da banalização do aborto. É a favor do aborto em si,isto é, acabou de dizer que este deve ser usado como método contraceptivo:"deve lá ir quem quer ter um filho, e não quem não quer, e tem de ser mentalizado que TEM de o ter". Pelos vistos, para o Senhor Diogo, a opção de ter ou não um filho faz-se depois de este ja estar concebido. É contra esta banalização, esta tentativa de fazer do aborto um capricho, que eu sou.
Por outro lado,e já que gosta de dar exemplos de outros paises aconselho-o a dar uma vista de olhos aos variados índices de "evolução" da Irlanda.
Também queria dizer que não tomo as crianças da Casa Pia como crianças de segunda, que segundo o Diogo foram "deitadas fora..."
Santa arrogância..Para si, Diogo, 80% da população deste planeta era para abater. Mais triste que a pobreza é a ingorância e a falta de bom-senso. Não há euromilhôes que as salvem...
Anónimo disse…
"fiquei a saber que o Senhor Diogo não é a favor da banalização do aborto. É a favor do aborto em si,isto é, acabou de dizer que este deve ser usado como método contraceptivo"

Não deturpemos as coisas, caro anónimo. Sabe que pode haver inúmeras razões para uma mãe, durante a gravidez (e até àquele número de semanas, que eu concordo), ter que tomar a opção do aborto.
Eu volto a frisar aquilo que disse: nós não sabemos a vida das pessoas, a sua história, nem nada para apontar o dedo e fazer juízos de valor. Mas quem somos nós, sem saber de nada, para dizer a uma pessoa que ela tem que ter um filho? Não se está a matar crianças, simplesmente porque ainda não o são. São um conjunto de células, é um embrião. Um ser que poderá vir a ser uma criança, mas que não o é.

"É contra esta banalização, esta tentativa de fazer do aborto um capricho, que eu sou."

Isso porque considera que, uma vez tendo o aborto legalizado, nunca mais irão nascer crianças, da mesma forma que com a legalização do divórcio, esse pensamento subjacente, diria que nunca mais ninguém se iria casar.
Isso é não confiar nas pessoas, e tê-las como irracionais e desumanas. No entanto defende que serão essas pessoas, que deverão ter os filhos (crianças que não têm culpa de nada).

"Por outro lado,e já que gosta de dar exemplos de outros paises aconselho-o a dar uma vista de olhos aos variados índices de "evolução" da Irlanda."

Pode olhar como quiser para a Irlanda, mas abstenho-me de falar em termos sociais, ainda mais se tiver em conta outros países a si circundantes e esta mesma questão.

"Também queria dizer que não tomo as crianças da Casa Pia como crianças de segunda"

Adjectivo seu. O que eu falo é na instituição, não nas crianças.

"que segundo o Diogo foram "deitadas fora..."

A Casa Pia não serve só para acolher filhos de pais que não têm possibilidades, mas muitos que não os querem.

"Santa arrogância..Para si, Diogo, 80% da população deste planeta era para abater. Mais triste que a pobreza é a ingorância e a falta de bom-senso. Não há euromilhôes que as salvem..."

Por ser a favor da despenalização do aborto até às 10 semanas, sou alguém que quer matar a maioria da população mundial? lol

Se não for por mais nada, sinceramente, basta-me ver as caras que são contra o aborto na televisão, para me dizer tudo.
Uma hipocrisia fabulosa.

Diogo.
Anónimo disse…
Este referendo não é mais do que a discussão entre duas avestruzes hipócritas.
A defensora do não, não quer ver o aborto liberalizada e contudo nada faz para o combater. Pensa que se na lei este for ilegal pode alegremente enterrar a cabeça na areia e fingir que o problema não existe, que compete ao Estado aplicar a lei.
A defensora do sim, é tão hipócrita como a anterior, pois é certo que vê o problema, mas nada faz para o resolver. Defende a legalização, mas uma vez esta na lei enterrará a sua cabeça esperando que a sua colega ou o Estado façam algo.

Na verdade, nenhum dos lados tem como objectivo a erradicação de abortos em Portugal, o único objectivo que têm e ver na lei consagrado a limpeza das suas consciências, as do não o pecado de abortar, as do sim o pecado de prender mulheres.
Uma vez limpa a consciência irão fazer o que as avestruzes melhor fazem: enterrar a cabeça na na areia.

Enfim...
Anónimo disse…
O sim, nesta questão, espera ver resolvida (ou pelo menos minorada) a questão da saúde pública. Caberá ao Estado o acesso a clinicas e a condições de higiene, entre outras coisas. Nisso, legalizado o aborto até àquele número de semanas, o Estado não poderá fugir.

O que se continua a fugir é ao problema social que a proibição do aborto (salvo as tais duvidosas excepções) causa.
E aí, as caras que vejo serem moralmente defensoras da vida, são aquelas que nada me dizem em termos de respeito pela vida humana, e cujos espectros ideológicos são tradicionalmente os que menos liberdades e legislação social querem ter num país.

Não acho que os abortos alguma vez sejam erradicados, mas uma verdadeira Educação e um sentido de responsabilidade maior, farão alguma diferença. Não descarto a liberdade de escolha, apesar de tudo, da mulher/casal naquele número de semanas, pelas razões já evocadas.

Em relação á limpeza de consciências, de facto Portugal sempre quis fingir que os problemas não existem, e esconder a cabeça na areia. Isso acontece em tudo, especialmente nos seus grandes empreendimentos, para mostrar e esconder, ao mesmo tempo, algo.

Diogo.
Anónimo disse…
Concordo que há elevadas probabilidades de não se erradicar o aborto, contudo qq campanha de combate ao mesmo só pode ter esse como objectivo final...

... aliás a Suécia tem um programa de mortes 0 na estrada, ora o objectivo não é atíngivel mas enquanto houver um morto/um aborto tem de se lutar por o eliminar.
Anónimo disse…
Mas eu aí, para se atingir esse objectivo, defendo a educação e aposto no bom senso das pessoas, e não na proibição declarada.

Diogo.
Anónimo disse…
Ò Diogo, és bom rapaz mas um pouco ingénuo. Assusmes que o aborto está errado mas és contra a proibição porque acreditas no bom senso das pessoas.Essa é a base da anarquia, filho.
Pensas o mesmo em relação aos homicídios e aos assaltos à mão armada?
Anónimo disse…
"...Assusmes que o aborto está errado mas és contra a proibição porque acreditas no bom senso das pessoas..."

O que é preciso é uma verdadeira aposta na Educação. Quanto ao eu achar que está errado ou não, eu não dei a minha opinião, nem tenho que dar. Deixo isso ao critério de cada um.

"...Essa é a base da anarquia..."

Pois é. Na teoria, se as pessoas tivessem sempre bom senso, e soubessem respeitar os outros, não eram precisas proibições/leis/constituições. Aliás, o Reino Unido não tem uma constituição como nós temos. Não tem tudo escrito e previsto em lei, isto porque não é preciso. Nos EUA, o Presidente não tem limite de mandatos, mas sabe que só se candidata até dois.

"Pensas o mesmo em relação aos homicídios e aos assaltos à mão armada?"

Isso são crimes.

Diogo.

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