É tolerável que o regime democrático deixe a RTP fazer a apologia do fascismo, dando a Jaime Nogueira Pinto mais de meia hora para fazer o elogio de Salazar?
não mais certamente do que a que farão a Cunhal... ou a Afonso Henriques que degolou uns tantos mouros e castelhanos, ou Vasco da Gama, que não terá sido um grande anjinho por onde passou... Esperança, você sofre, desde sempre, nas suas análises, de hindsight bias. Não sabe o que é? informe-se...
Anónimo disse…
A superioridade moral da Democracia tem um preço. Esse preço, paga-o a Democracia quando acolhe, com iguais direitos, os seus inimigos. O paradoxo está na tolerância da Democracia perante aqueles que sempre quiseram - e querem - destruir. Já o conntrário é impensável.
Carlos Esperança:
Que haja decência, contraditório, informação e esclarecimento. Não "fazer o luto" do fascismo português e do seu rosto - o tirano salazar - é perigoso. Que se enterrre, sem complexos. Que se ouçam os seus seguidores, e que se confrontem com os factos. Como é o caso da oportuna chamada de atenção que o Carlos faz naquele link bem oportuno. Sejamos tolerantes com os anti-democratas, pois somos melhores que eles. Mas não sejamos moles...
Um abraço.
jrd disse…
Jaime Nogueira Pinto é o maior expoente da inteligenzia pós-fascista portuguesa e continua a assumir com coerência a posição ideológica de sempre, introduzindo-lhe , é certo, algum aggiornamento, mas não uma reconversão. Ao invés de muitos dos seus ex-parceiros, hoje “cristãos novos”da Democracia, nunca lhe vimos manifestações de proselitismo. Se a tolerância democrática decidiu conceder-lhe a possibilidade de dissertar sobre quem jamais praticou a tolerância, Nogueira Pinto aproveitou-a para fazer o panegírico do defunto déspota e efectuar um hábil exercício de branqueamento e até de exaltação do regime. Estava no seu papel. Não seria pois suposto, que trouxesse à colação de forma enfatizada,os crimes de sangue do tirano e da ditadura, enunciados no Veritas. A tolerância democrática deve exercer-se de forma responsável e sem demonstrar pusilanimidade. Esperemos que tenha sido o caso. Penso que, não obstante a revolta e a náusea que esta apologia provocou, ela não é mais gravosa do que muitas manifestações de carácter fascizante a que vamos assistindo quotidianamente nos Media, apenas o enquadramento será diferente.
Independentemente da tolerância democrática que deve observar-se num Estado de Direito, todos os cidadãos devem pugnar para que, em relação à História, NÃO se promova:
- o negacionismo; - o esquecimento; - o desprezo pela memória; - o branqueamento.
Se não fizermos isso, será a identidade nacional que aparecerá mutilada e distorcida, com todas as suas consequências políticas, sociológicas e culturais.
A HISTÓRIA DA HUMANIDADE EM TRÊS PALAVRAS "Felipe lembrou-se da história do Rei do Oriente que, desejando conhecer a história da humanidade, recebeu de um sábio quinhentos volumes; ocupado com negócios de Estado, pediu-lhe que a condensasse. Ao cabo de vinte anos, o sábio voltou e a sua história ocupava agora apenas cinquenta volumes; mas o rei, já velho demais para ler tantos livros volumosos, pediu-lhe que a fosse abreviar mais uma vez. Passaram-se de novo vinte anos, e o sábio, velho e encanecido, trouxe um único volume com os conhecimentos que o rei procurara; este, porém, estava deitado no seu leito de morte, nem tinha mais tempo de ler sequer aquilo. Aí o sábio deu-lhe a história da humanidade numa única linha: 'Nasceram, sofreram, morreram'. Somerset Maugham, in 'A Servidão Humana'.
Anónimo disse…
Se os cartoons a ridicularizar maomé uma religião não podem ser proibidos devido à necessidade de defender a liberdade de expressão, porque é que não se pode falar bem de Salazar??????
Ou a liberdade de expressão tem duas medidas: defensável quando se exprimem opiniões com as quais se concorda ou indefensável porque exprime opiniões com as quais discordamos?
Anónimo disse…
"É tolerável que o regime democrático deixe a RTP fazer a apologia do fascismo, dando a Jaime Nogueira Pinto mais de meia hora para fazer o elogio de Salazar?"
É!
BM disse…
Anos sessenta/setenta (séc XX):o jovem JNP edita um pequeno jornal com o título "Portugal novo". Com uma cruz céltica no cabeçalho. E boas intenções para com o futuro de um Portugal independente, do Minho a Timôr. Era jovem. Na RTP, falou o universitário (e penso que tambem empresário na antiga África PO), opinando a qualidade de AOS na defesa do Ultramar como exercício de defesa da soberania e independência nacionais. Uma mistura de igorância, inconsciência e de cristalização de conceitos. Embora adulto. Uma boa oportunidade para a RTP vir a fazer uma boa lição de história quando terminado este programa. Se a RTP fosse uma prestadora de serviço público. Com a 'pára-quedista' Maria Eliza, tudo bem.
Anónimo disse…
Não vi o programa, mas calculo que o Prof. Nojeira Pinto tenha até sido moderado; nos tempos do salazarismo ele ultrapassava o Salazar pela direita: escrevia virulentos artigos num pasquim chamado "Agora", que chegava a ter textos cortados pela Censura por serem fascista demais!
PATINHAS disse…
A vergonha não tem limites. Se calhar até temos o que merecemos.
eu vi a luz disse…
a democracia sempre foi muito "democratica" com a direita, o mesmo não se pode dizer da direita noutros tempos,para alguem é a prova provada de que lado está a Tolerancia.
Anónimo disse…
Não se pode comparar Salazar a Cunhal, porque este último não governou o país. Fica como um lutador de ideais, principalmente.
Tentar "apaziguar" aquilo que Salazar fez, com Cunhal, é no mínimo, descabido, e é menosprezar tudo aquilo que foi o Estado Novo.
Em relação àquilo que foi dito por Jaime Nogueira Pinto, apenas mostra que a falta de aposta na Educação, dá em perdas de memória, que são ouvidas pela sociedade, e que resultam no engrandecimento de uma figura como Salazar.
Assim, temos mais uma vez, Portugal com uma democracia frágil, e à beira da queda. Para quando uma democracia forte, sem medos?
Vasco Graça Moura (VGM), apesar de defensor da pena de morte, não é um troglodita e a linguagem, digna do mais rancoroso rural, não faz dele inimputável.
Debita adjectivos como balem as ovelhas ou palram os papagaios, com a facilidade do mais erudito dos almocreves e o acinte do mais primário e boçal ferrador de solípedes.
VGM, na sanha contra a esquerda pós-soviética, onde inclui toda a esquerda, revela-se o mais genuíno dos paladinos da direita pós-fascista.
O defensor de todos os líderes do PSD, e carrasco dos simpatizantes de qualquer outro partido, denomina «patéticas deslocações do sr. Solana» os esforços de paz do ilustre espanhol ao serviço da União Europeia e denomina a política diplomática de Espanha de «progressismo alvar do sr. Zapatero». Deve ser trauma anti-castelhano.
O Governo italiano, depois de ter perdido o notável cançonetista Berlusconi e o pio Roco Butiglioni, passou a ser a «periclitante salada de esquerda do sr. Prodi».
A situação na Venezuela tem sido observada internacionalmente um pouco à sombra do esquema dos clubismos e das suas inomináveis claques. Hoje, para além da grave situação interna venezuelana, Caracas tornou-se num novo campo de batalha dos velhos equilíbrios internacionais o que vem dificultar as soluções para a crise venezuelana.
Ideologicamente, o ‘chavismo’ que vigorou neste país desde 1999 até 2013 (ano do desaparecimento físico de Hugo Chávez) é, em certa medida uma nova versão de peronismo, um peronismo pós-moderno, ou seja um movimento político-social complexo que, no passado, também, marcou a América Latina e onde de misturaram conceitos como o populismo, o anti-imperialismo, o bonapartismo e, até certo ponto, o capitalismo de Estado.
Acresce a este rol um conceito particular inerente ao ‘chavismo’ e que lhe define as características pós-modernas e que se torna difícil de estabelecer doutrinariamente os seus contornos: - ‘o socialismo do século XXI’ (numa conceção latino-ame…
Num país disfuncional, onde os diretores-gerais apresentam a demissão para evitar a dos ministros, como aconteceu com o Comandante-Geral da PSP que seria substituído pelo que, na sua atuação, deu origem à demissão, cria-se um lugar político para os abnegados mártires. Na PSP, hoje com 13 oficiais equiparados a generais de 3 estrelas, arranjou-se um lugar… em Paris, por 12 mil euros mensais, para o desprendido demissionário.
A demissão do responsável máximo da Autoridade Tributária, um diretor-geral, tem certamente à espera uma sinecura à altura do sacrifício. Imolou-se no altar da hipocrisia ao serviço da degradação ética do regime que este Governo e esta maioria, à rédea solta, levam a cabo, com o PR preso curto.
Um país onde o segredo fiscal, à semelhança do de justiça, é para ser violado, protegem-se os amigos, hoje os deste Governo, amanhã os do próximo. O sigilo fiscal era a prática dos funcionários de Finanças como os pagamentos à Segurança Social e ao fisco o eram dos governan…
Comentários
Esperança, você sofre, desde sempre, nas suas análises, de hindsight bias. Não sabe o que é?
informe-se...
Esse preço, paga-o a Democracia quando acolhe, com iguais direitos, os seus inimigos.
O paradoxo está na tolerância da Democracia perante aqueles que sempre quiseram - e querem - destruir.
Já o conntrário é impensável.
Carlos Esperança:
Que haja decência, contraditório, informação e esclarecimento.
Não "fazer o luto" do fascismo português e do seu rosto - o tirano salazar - é perigoso.
Que se enterrre, sem complexos.
Que se ouçam os seus seguidores, e que se confrontem com os factos.
Como é o caso da oportuna chamada de atenção que o Carlos faz naquele link bem oportuno.
Sejamos tolerantes com os anti-democratas, pois somos melhores que eles. Mas não sejamos moles...
Um abraço.
continua a assumir com coerência a posição ideológica de sempre, introduzindo-lhe , é certo, algum aggiornamento, mas não uma reconversão.
Ao invés de muitos dos seus ex-parceiros, hoje “cristãos novos”da Democracia, nunca
lhe vimos manifestações de proselitismo.
Se a tolerância democrática decidiu conceder-lhe a possibilidade de dissertar sobre quem jamais praticou a tolerância, Nogueira Pinto aproveitou-a para fazer o panegírico do defunto déspota e efectuar um hábil exercício de branqueamento e até de exaltação do regime. Estava no seu papel.
Não seria pois suposto, que trouxesse à colação de forma enfatizada,os crimes de sangue do tirano e da ditadura, enunciados no Veritas.
A tolerância democrática deve exercer-se de forma responsável e sem demonstrar pusilanimidade. Esperemos que tenha sido o caso.
Penso que, não obstante a revolta e a náusea que esta apologia provocou, ela não é mais gravosa do que muitas manifestações de carácter fascizante a que vamos assistindo quotidianamente nos Media, apenas o enquadramento será diferente.
- o negacionismo;
- o esquecimento;
- o desprezo pela memória;
- o branqueamento.
Se não fizermos isso, será a identidade nacional que aparecerá mutilada e distorcida, com todas as suas consequências políticas, sociológicas e culturais.
A HISTÓRIA DA HUMANIDADE EM TRÊS PALAVRAS
"Felipe lembrou-se da história do Rei do Oriente que, desejando conhecer a história da humanidade, recebeu de um sábio quinhentos volumes; ocupado com negócios de Estado, pediu-lhe que a condensasse. Ao cabo de vinte anos, o sábio voltou e a sua história ocupava agora apenas cinquenta volumes; mas o rei, já velho demais para ler tantos livros volumosos, pediu-lhe que a fosse abreviar mais uma vez. Passaram-se de novo vinte anos, e o sábio, velho e encanecido, trouxe um único volume com os conhecimentos que o rei procurara; este, porém, estava deitado no seu leito de morte, nem tinha mais tempo de ler sequer aquilo. Aí o sábio deu-lhe a história da humanidade numa única linha: 'Nasceram, sofreram, morreram'.
Somerset Maugham, in 'A Servidão Humana'.
Ou a liberdade de expressão tem duas medidas: defensável quando se exprimem opiniões com as quais se concorda ou indefensável porque exprime opiniões com as quais discordamos?
É!
Na RTP, falou o universitário (e penso que tambem empresário na antiga África PO), opinando a qualidade de AOS na defesa do Ultramar como exercício de defesa da soberania e independência nacionais.
Uma mistura de igorância, inconsciência e de cristalização de conceitos. Embora adulto.
Uma boa oportunidade para a RTP vir a fazer uma boa lição de história quando terminado este programa.
Se a RTP fosse uma prestadora de serviço público.
Com a 'pára-quedista' Maria Eliza, tudo bem.
Se calhar até temos o que merecemos.
Fica como um lutador de ideais, principalmente.
Tentar "apaziguar" aquilo que Salazar fez, com Cunhal, é no mínimo, descabido, e é menosprezar tudo aquilo que foi o Estado Novo.
Em relação àquilo que foi dito por Jaime Nogueira Pinto, apenas mostra que a falta de aposta na Educação, dá em perdas de memória, que são ouvidas pela sociedade, e que resultam no engrandecimento de uma figura como Salazar.
Assim, temos mais uma vez, Portugal com uma democracia frágil, e à beira da queda. Para quando uma democracia forte, sem medos?
Diogo.