Li no excelente blogue De Rerum Natura , num post de Carlos Fiolhais , o seguinte: «De facto, o candidato a rei é autor de um opúsculo laudatório do Beato Nuno, onde se pode ler esta pérola: “Q uando passava de Tomar a caminho de Aljubarrota, a 13 de Agosto de 1385, D. Nuno foi atraído a Cova da Iria, onde, na companhia dos seus cavaleiros, viu os cavalos do exército ajoelhar, no mesmo local onde, 532 anos mais tarde, durante as conhecidas Aparições Marianas, Deus operou o Milagre do Sol» (“D. Nuno de Santa Maria - O Santo” , ACD Editores, 2005).»
Fiquei maravilhado com o que li e, sobretudo, por saber que o Sr. Duarte Pio escreve.
O Sr. Duarte Pio, suíço alemão, da família Bourbon, imigrante nacionalizado português pela conivência de Salazar e pelo cumprimento do Serviço Militar Obrigatório, podia emprestar a imagem às revistas do coração mas precaver-se contra a ideia de publicar opúsculos.
Claro que não é necessário saber falar para escrever e, muito menos, ...
Comentários
Parágrafo tipo "pescadinha de rabo na boca" ou como se pode dizer tudo sem dizer nada...
Resta-nos, agora, ouvir as declarações dos 15 marinheiros ingleses, uma vez restituídos à liberdade.
Na verdade, estamos já habituados a ser "enganados" por Blair, nestas questões do Médio Oriente, interessando, pelo menos, esclarecer a verdade factual.
A força naval inglesa entrou, ou não, em águas territoriais iranianas?
Este será mais um pequeno episódio, de certo modo rocambolesco, ao encontro das intervenções protagonisadas pela França, alemanha e do Reino Unido que, a coberto do consenso das potências mundiais, nomeadamente os EUA , utilizam a habilidade e experiência diplomática de Javier Solana. Durante meses proposeram ao Irão cooperação económica, apoio ao nível da utilização da energia nuclear para fins civis e o diálogo sobre as questões de segurança regional (entenda-se: Iraque, Palestina e Libano) em contrapartida com o fim das actividades de enriquecimento de urânio.
A votação da resolução 1747 do CS da ONU, em 24 de Março, veio complicar estas negociações entre a UE e o Irão.
Numa política de "um passo atrás dois à frente", ou talvez, de "desorientação", enquanto se decide o agravamento de retaliações ao Irão, representantes dos EUA reunem-se com responsáveis iranianos e sírios.
O aprisionamento dos marinheiros ingleses foi a "provocação" iraniana ao endurecimento da resolução do CS/ONU.
Mas, para além dos proveitos directos (Ahmadinejad não anunciou a libertação, mas o "perdão"), ao Irão interessa-lhe tornar cada vez mais notório o papel da Síria como mediador, nas grandes e pequenas questões do Médio Oriente.
O ministro das Relações Exteriores sírio Walid al Moallem, reconhecendo publicamente a sua mediação nesta questão, tinha praticamente "advinhado", em entrevista (ontem) ao jornal Al Anba, a breve libertação dos marinheiros ingleses.
As conversações directas entre a UE, EUA, Síria e Irão nas questões de segurança regional (Médio Oriente), são - cada dia que passa - uma realidade incontornável. Os EUA querem negociar questões de segurança interna do Iraque. Os países àrabes defendem a negociação regional conjunta e integrada dos actuais (Iraque ...), passados (Palestina, Israel...) e futuros problemas (Irão, Libano,...) do Médio Oriente.
O "episódio dos marinheiros", não será difícil imaginar, insere-se neste contexto.
Blair, acompanhando Bush, disse "cobras e lagartos" de Bachar Al-Assad e, agora, teve de bater-lhe à porta.
Deste inusitado modo, A UE - através do Reino Unido - acabou de inscrever o "problema libanês" nas negociações globais sobre o Médio Oriente.