OTA, co-incineração, aborto, eutanásia…

Há coisas que, por mais que me interrogue, não vejo como possam ser de esquerda ou de direita. Pressinto, isso sim, que possam ser aproveitadas pela guerrilha partidária com a mesma elevação com que à segunda-feira se discutem os jogos de futebol.

A política, por falta de formação cívica e cultura democrática, tornou-se uma espécie de rixa entre clubes, o único modelo de participação que herdámos da ditadura.

Infelizmente, não há democracia sem contraditório e combate político mas a vivacidade e o vigor da luta não podem prescindir da lealdade da argumentação, de um mínimo de reflexão, de alguma cultura e coragem cívica.

Quando, há quase 50 anos, escrevi uma carta de apoio a Arlindo Vicente, mais pela sedução pelo advogado do que pela percepção de eventuais diferenças ideológicas entre ele e Humberto Delgado, já sabia que sem pluralismo não há democracia e, sem esta, não há liberdade.

Hoje, 33 anos depois de Abril, ainda há quem cultive a calúnia e o anonimato, viva da arruaça e do ódio, e pense apenas pela cabeça do líder do partido ou do chefe de facção.

Enquanto proliferam os pequenos negócios e o tráfico de influências, não se condenam decisões políticas, fazem-se ataques pessoais e calunia-se sem se estudarem os assuntos ou reflectir sobre o que é melhor para o País.

Para o País? Mas que interessa aos parasitas o destino do País? É do seu bem-estar que cuidam e pelos interesses de grupo que zelam. Ainda não vi ninguém, no PS ou no PSD, a dizer onde iriam buscar os recursos para sustentar despesas que se procuram conter.

E o certo é que estamos hoje a gastar o que os nossos pais nos deixaram e a consumir o que faltará aos nossos filhos, sem qualquer vergonha ou remorso, numa espiral suicida de quem espera já não ser vivo quando chegar o naufrágio.

Comentários

Anónimo disse…
Está claro que enquanto for este o Ministro das Obras Públicas, a OTA é para ficar. Resta saber se vamos ser todos comidos por OTÁRIOS.
Anónimo disse…
Mas não era essa a opinião de Carmona Rodrigues quando foi ministro de Durão Barroso? E a de Santana Lopes?

Será que o País quer apenas que não se tomem decisões?

Ou os otários anónimos apenas se interessam pelo atraso do País?
Anónimo disse…
só mostra o tempo que os nossos políticos perdem com os dossiers.
ou então há muito bluff no meio disto tudo.

os otários anónimos interessam-se pelo atraso do País, para o melhorar com justiça, ao contrário dos políticos iluminados, que não pagam impostos e só andam à boleia dos "business angels" da política...
Anónimo disse…
Pensava que o anonimato, ainda que otário, era uma virtude deste blog...

Os otários, unidos,
jamais serão vencidos!
Anónimo disse…
Anónimo Ter Abr 03, 07:26:00 PM:

Não é virtude mas é direito que o Ponte Europa concede.
Anónimo disse…
Os OTÁRIOS anónimos reclamam e serão ouvidos...basta de consumir os dinheiros públicos com megalomanias...

Portugal é um país pequeno, deve ter infraestruturas à sua dimensão...para quê um TGV ? Não será, para andar a 500 e tal à hora, não temos país para tanto.
Faça-se a ligação à rede europeia e já chega.

OTA, não vale a pena falar, a palavra diz tudo...OTArios somos nós que alimentamos maluquice.

CO-INCINERAÇÃO, fixação de Sócrates, não passará, há outras soluções, Carlos Esperança sabe disso...

Como é possível acreditar num governo que mantém o desemprego elevadíssimo, corta no básico (saúde, justiça, educação) e liquida a agricultura e pescas, afinal que vem a ser isto ?
Anónimo disse…
Faça-se a ligação à rede europeia e já chega.

RE: Concordo em absoluto.

De resto quando vi Durão Barroso a assinar 5 (cinco) itinerários com Aznar tive a certeza de que o homem não era politicamente sério.

***
OTA, não vale a pena falar, a palavra diz tudo...OTArios somos nós que alimentamos maluquice.

RE: Não vejo o argumento.
Anónimo disse…
faça-se um estudo sério sobre um aeroporto na margem sul do Tejo.
depois comparem-se as vantagens e desvantagens, incluindo os custos.
pelo que tenho lido e ouvido, a Ota não é a melhor solução.
devemos procurar o melhor, tendo em conta qualidade/preço.
Anónimo disse…
OTA, não vale a pena falar, a palavra diz tudo...OTArios somos nós que alimentamos maluquice.

Caro, Carlos Esperança

O que pretendi dizer, tem a ver com a maluquice do empreendimento, só a remoção de terras, é uma verdadeira loucura, depois há outros problemas de consolidação de terrenos alagadiços...a engenharia financeira vai ser muito complicada.

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