Dá que pensar!
“O mundo árabe encontra-se hoje económica e intelectualmente estagnado a um ponto que teria sido impossível imaginar, tendo em conta o papel histórico que desempenhou no desenvolvimento e na preservação do conhecimento humano. No ano de 2002, o PIB do conjunto dos países árabes era inferior ao da Espanha. Ainda mais preocupante, em Espanha são traduzidos mais livros para espanhol no espaço de um ano do que todos os livros que o mundo árabe traduziu para arábico desde o século IX.”
Relatório para o Desenvolvimento Humano Árabe das Nações Unidas, 2002, apud, Sam Harris, O Fim da Fé, Religião, Terrorismo e o Futuro da Razão, Lisboa, 2007, p. 144.
Relatório para o Desenvolvimento Humano Árabe das Nações Unidas, 2002, apud, Sam Harris, O Fim da Fé, Religião, Terrorismo e o Futuro da Razão, Lisboa, 2007, p. 144.
Comentários
Desde a morte de Maomé (ano 636) que a expansão árabe irradiou de Meca, quer para o Oriente, quer para o Ocidente.
No Oriente,conquistaram e submeteram o Império Persa.
No Ocidente a caminhada foi mais longa, mas galopante e fulminante. Em 756 (120 anos depois do início da "expansão") fundavam na parte mais ocidental da Europa o emirato de Cordova, depois de conquistarem toda a costa leste e sul e do Mediterrâneo (Palestina, norte de África, Magreb e da Península Ibérica - sendo "travados" pelos Francos em Poitiers) que lhe garantiram o controlo do comércio de especiarias das Indias (através de Constantinopla) e do ouro da Africa subsariana (através de Ceuta). Este foi o período de grande riqueza do Mundo árabe. O poderio económico viria a criar os alicerces de uma "civilização muçulmana", com uma notável expressão no mundo das artes, da ciência, da cultura.
Este domínio manteve-se até ao século XVI e, será, desmoronado pela chamada "reconquista" cristã.
A partir daí foi o declínio que se acentuaria com a industrialização. Esta última, deslocará o poder económico para a Europa Central e do Norte.
Se observaramos este (simplista) trajecto histórico compreendemos que, para além dos motivos estrictamente religiosos, existem outras razões de fundo para a "revolta" árabe. Uma delas é, com certeza, o sub-desenvolvimento e, sejamos directos, a pobreza.
Nada disto justifica o terrorismo, mas compreender o percurso histórico ajudará, estou convicto, a combatê-lo.
A ignorância histórica dos "neocons" que, nos últimos anos, têm determinado a política, no Próximo e Médio Oriente, é um terrível handicap que nos "empurra" para um Mundo cada vez mais inseguro.
É isto que o post ... "dá que pensar"!
é que dividem mal o dinheiro: uns são autênticos nababos, outros são miseráveis; gastam mal o dinheiro: em vez de o investir em educação e no desenvolvimento dos seus países, gastam-no em armamento, guerras e fomento do terrorismo;além disso, não trabalham nem deixam as mulheres trabalhar; quando não estão a rezar, estão a ulular em manifestações constantes de multidões enfurecidas que manifestamente são constituídas por ociosos "profissionais",que não fazem nem querem fazer mais nada.
Hoje, quem está no auge é a cultura americana, onde o "Ranger do Texas" Bush encarna o "volksgeist"...e vamos ver o que vai dar o seu declinio!!!
Tales de Mileto ou socialista pré-socrático!
De acordo.
Na verdade, muitos dos estados arábes, neste momento histórico, estão inundados de "petrodolares". Mas os regimes políticos aí vigentes ou são monarco-teocracias cleptocráticas que enchem os bolsos de uma infindável e gulosa "família", ou, arremedos pseudo-democráticos onde grassam complexas redes de corrupão que favorecem e perpetuam as cliques parasitárias do(s) poder(es).
Para aquilo que se poderá designar por "povo árabe", restará:
- um residual comércio de retalho (grandes centros comerciais pertecem a circulos próximos so poder ou a multinacionais);
- encher as mesquitas e implorar misericórdia a Alá;
- ouvir incitamentos de imãs, ...
e,
finalmente, enveredam por caminhos fudamentalistas que associado ao desespero, à perda da identidade cultural, ao subdesenvolvimento e à pobreza (para onde são remetidos por um Estado aparentemente "rico"), juntam os ingredienetes necessários para o fomento de todo o tipo de violências e intolerâncias e, no final da linha, o terrorismo...
Não são os chefes políticos cleptocratas ou os dirigentes religiosos que se martirizam, imolam ou se fazem explodir ...
Esses (os cleptocratas) têm o paraíso e as ditas dezenas de virgens, cá na terra...
Por último, quase todos estes regimes arabes têm - ou já tiveram - o suporte político do "Mundo Ocidental" (leia-se de países europeus ou dos EUA).
Quando falei de causas remotas do terrorismo estava a pensar nas dramáticas condições do povo árabe, não nos dirigentes (políticos ou religiosos, à escolha)... ou nos desafogos orçamentais desses Estados.