Coreia do Norte, GW Bush & Barack Obama...
Os testes nucleares subterrâneos efectuados na Coreia do Norte desencadearam a condenação geral do Mundo.
Na verdade, o “grupo dos seis” - China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, EUA, Japão e Rússia – tinham conseguido um acordo, polivalente e multifactorial, em Fevereiro de 2007.
O acordo fazia lembrar o de Bush para o Iraque (antes da invasão): troca de petróleo por alimentos…
Os “seis” elaboraram a seguinte “ementa”:
Uma ajuda energética equivalente a 1 milhão de toneladas de petróleo/ano em troca de um desmantelamento progressivo das instalações nucleares, nomeadamente em Yongbyon, e a aceitação de inspecções periódicas da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).
Este era o acordo visível.
Esquecem-se, contudo, que G. W. Bush gostava e fomentava embrulhadas financeiras, com fins políticos.
E, logo após o estabelecimento deste acordo, Bush acusa o regime de Pyongyang de atitudes ilícitas nesta área, através do Banco Delta Ásia (BDA), um das maiores instituições financeiras de Macau (já integrado na China, convém relembrar).
Sem a menor prova e sem consultar os outros parceiros, num estilo "neo-conservador" puro, Washington acusa a Coreia do Norte do branqueamento de capitais e promove o congelamento dos seus investimentos no exterior.
A Coreia do Norte perante a ausência de fundamentos da Administração de G.W. Bush ainda conseguiu libertar 25 milhões de dólares.
Os americanos, melhor os bancos americanos, foram proibidos de abrir ou manter contas no Banco Delta Ásia, o que motivou, na prática, a sua insolvência.
Estavam anuladas as grandes contra-partidas do acordo.
Esta atitude americana inquinou todo o esforço conjunto dos outros 5 países e do homem que aparece sempre nestas situações e que os EEUU detestam: Mohamed El-Baradei. Este adverte os americanos que o processo será “progressivo, complexo e levará algum tempo”. Mais, insiste que o diálogo é a única via realista para parar a proliferação nuclear na Coreia.
Como no Iraque, Bush tem pressa em resolver a situação e coloca os (já citados) embargos financeiros que comprometem o processo e criam novas tensões.
Provavelmente, a misteriosa (?) doença do "querido líder" e a sua longa recuperação e/ou eventuais problemas na sua "sucessão" dinástica, atrasaram a resposta agora surgida.
Barack Obama, nos poucos mais de 100 dias de presidência, não teve tempo para sensibilizar-se sobre este problema ou, por erro estratégico, confiou que a China tomaria conta do caso.
Equivocou-se. A Coreia do Norte como retaliação, ou na tentativa de renegociar o acordo, desencadeia mais um teste nuclear e lança 3 misseis balísticos de curto alcance.
Obama terá agora que lidar com mais esta herança deixada por G.W. Bush.
Vamos ver como.
Comentários
Uma palavra de solidariedade também com a Coreia do Sul, país que se democratizou na última década, que tem um excelente nível cultural e de educação e fortíssimas indústrias e tecnologias e que está sujeito a estes desmandos...
Basta!
Complentamente de acordo quanto ao ter chegado o tempo de dizer basta!
Resta saber como.
Derrubar o Kim il Sungismo?
A China deixa criar um foco de instabilidade no quintal?
Unificar as duas Coreias?
O Japão deixa nascer um poderoso concorrente em tecnologia, na indústria automóvel, etc.?
Ou a China, pacientemente, vai deixando a Coreia do Norte enterrar-se e acaba por anexá-la?
A situação da Coreia do Norte em termos mundiais vale muito menos do que o querido lider Kim Jong-il julga.
Os EUA estão desejosos que a China e o Japão se encarreguem do assunto e, como se infere, o transformem numa "questão regional"... porque, problemas com a proliferação nuclear, já os têm com o Irão.
Para isso é preciso que as forças democráticas sejam apoiadas e que se faça uma revolução na Coreia do Norte. Depois, criar um plano de adaptação económico-social que conduza a médio prazo à reunificação das Coreias e em 30 anos essa grande nação voltaria a ter o seu lugar de pleno direito na comunidade das nações. E 30 anos para budistas não é muito tempo. Por isso, estas ideias são realistas.