Momento zen de segunda

João César das Neves (JCN), parecendo um troglodita, é um profeta. Para ele o sexo é como o toucinho para Maomé, uma abominação, um erro da natureza que da reprodução fez prazer e popularizou esse método repugnante.

A homilia desta segunda-feira, no DN, execra o sexo. A parábola «Deseducação sexual» abomina alusões a essa sujidade, ao preservativo e à sordidez da reprodução humana.

JCN é um profeta que usa a língua e os dedos para defender a castidade. Fala e escreve para glorificar o Senhor e repetir as palavras do papa numa sociedade onde o erotismo é a arma de Satã. É um sofredor, apertado pelo cilício, a usar a ironia: «A masturbação é natural, o impulso sexual deve ser promovido [sic], se praticado com segurança, e há perfeita equivalência entre todas as opções sexuais. Pudor, castidade e matrimónio são disparates».

Por mais difícil que seja descobrir «impulsos sexuais promovidos… com segurança» adivinha-se que JCN é contra os impulsos e contra a segurança. O profeta não é rigoroso na gramática mas é impoluto no pensamento. O texto é um pesadelo para a inteligência mas um refrigério para a alma. Um dia o Evangelho de S. João César há-de registar esta parábola: «As gerações futuras vão rir à grande com a tolice dos nossos políticos que se encarniçam a regular o baixo ventre». Pensemos nas gargalhadas dos vindouros quando descobrirem como agora se fazem meninos, quando bastar inserir peças numa linha de montagem, carregar num botão e produzir bebés a chorar. Talvez aproveitem o método para fazer triciclos.

JCN, entre as reflexões pias e os louvores à castidade, ainda informou os leitores de que há 50 anos o PS defendia as ideias económicas que o Bloco de Esquerda defende hoje. Tendo o PS 36 anos de existência facilmente entendemos como JCN despreza a verdade e o tempo para salvar a alma.

Comentários

e-pá! disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
e-pá! disse…
" A castidade é a mais anormal das perversões sexuais".

Disse Aldous Huxley, ensaísta.

Mensagens populares deste blogue

Insurreição judicial

Cavaco Silva – O bilioso de Boliqueime