UE - OS "NOVOS" EMIGRANTES



Silvio Berlusconi é pela 3ª. vez presidente do Governo italiano.
Está, neste momento, a ocupar este cargo, decorrente do voto popular, depois de orquestrar coligações com as forças mais retrógradas, nomeadamente com a “Liga Norte”, partido xenófobo, com laivos neo-fascistas.
Foi este apoio – contabilizado em cerca de 8% dos votos - que lhe “ofereceu” o poder que actualmente exerce.

Berlusconi vive em constante conflito com os tribunais por acusações de corrupção e ligações com a Máfia. Enfrenta estes casos com derrogações do enquadramento legal do País e, caso a caso, vai garantindo a sua impunidade.
Este método de actuar deve ser julgado pelos italianos mas a Europa não pode deixar de contemplar com certa distanciação e passividade estes despautérios.

A legitimação do escrutínio popular cala muitas bocas mas, também fere muitas legítimas expectativas.
Principalmente, vindas de um País que é o fundador da CEE, também conhecido pelo Tratado de Roma, onde europeístas de primeira água como Robert Schuman e Jean Monnet pontificaram, mesmo sem conseguir, nessa altura, quaisquer compromissos políticos.
Foi, um primeiro passo dado em 25 de Março de 1957 tendo o Coliseu e o Fórum romano como pano de fundo.
A primitiva CEE integrava poucos países: Alemanha, França, Itália, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo e dava seguimento à Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, criada em 1951, pelo Tratado de Paris, no sentido de bloquear conflitos bélicos futuros.
A Europa acabava de sair da II Grande Guerra…

Hoje, vivemos na UE – também assinada em Outubro de 2004, novamente em Roma – sendo uma congregação alargada a 27 países europeus que, neste momento, está na recta final de um documento constitutivo e regulador da União, o Tratado de Lisboa.

Bem, depois deste resumido percurso histórico, em que a Itália esteve presente desde a 1ª. hora, em que se foram integrando ou procurando concertar diversificadas culturas, muitas etnias e vastos territórios, somos surpreendidos pelas recentes afirmações de Berlusconi sobre migrações.

Todos sabemos que não existem almoços grátis. Mas a conta que a Liga do Norte está a cobrar é demasiado pesada.
Em primeiro lugar para a EU, depois para o Mundo já que, não sendo um problema estritamente italiano, é, com certeza uma questão humanitária.

Domingo, Berlusconi afirmou aos quatro ventos que: não quer uma “Itália multiétnica”!
Soam os alarmes por todo o lado, a começar no interior do País, enquanto se preparam os repatriamentos.

Il Cavaliere argumenta que uma Itália multiétnica é uma ideia da Esquerda, logo, para rejeitar liminarmente.

Para amostra, pretende repatriar 500 pessoas que foram interceptadas pela marinha quando tentavam atravessar o Mediterrâneo. Muitas refugiadas da Líbia, ex-colónia italiana.

Esta decisão choca frontalmente com o espírito da EU. A futura Europa será obrigatoriamente uma sociedade multiétnica. Já o é, mas Berlusconi parece não querer ver e, acima de tudo, não gostar.

Mais do que isso, a futura UE será um amplo espaço multicultural onde se entrecruzarão civilizações, religiões, doutrinas políticas, filosóficas, artísticas, estéticas, etc. Será o espaço de uma imensa diversidade no qual todos têm lugar para contribuir – para além da força de trabalho – mas, possivelmente, um território onde Berlusconi e correligionários serão estrangeiros - os “novos” emigrantes.
Bem, emigrantes vitimas da sua xenofobia.

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