Irão - Justiça islâmica _ Opinião de um leitor


Esta selvática "maré" de enforcamentos públicos, pode ser simplesmente a resposta dos sectores mais fundamentalistas do Irão, à eleição do ayatollah Rafsandjani, actual chefe do Conselho de Discernimento, um importante órgão de controlo deste regime islâmico.

Rafsandjani foi o anterior presidente do Irão (2 mandatos) sob a capa de, politicamente, ser um conservador moderado, e tentou imprimir um "ar de Primavera".

Não conseguiu impor-se aos fundamentalistas (não evitou contínuas violações dos direitos humanos), lançou a País numa crise económica e de certo modo foi uma desilusão.

Nas últimas eleições presidenciais, sem contar com o apoio do líder absoluto (supremo) ayatollah Khamenei é derrotado pelo actual presidente Ahmadinejad, entrando numa aparente "travessia do deserto" até à recente eleição onde derrotou um (outro) ayatollah ultra-conservador.

Esta "intranquilidade" que é traduzida por desumanas e inúmeras execuções (nenhuma é justificável) mostra alguma inquietação e evidencia focos de tensão no seio da cúpula dirigente iraniana, dominada por uma clique (com nuances mais religiosas e comportamentais do que políticas) de ayatollahs.Todos sabemos que a repressão é sempre um sinal de fraqueza. E a sua irracional intensificação traduz, tão-somente, desespero.

De facto, a situação política do Irão é, neste momento, muito complicada. Potência regional (no Médio Oriente), fortalecida pela nefasta guerra do Iraque, é objecto de um apertado cerco, encabeçado pelo EUA que, com base no desenvolvimento de um programa nuclear (civil? / bélico?) próprio, pretende retirar-lhe liderança militar. No aspecto político-religioso (no Irão as questões são sempre mistas) os ganhos são evidentes, embora ainda não consolidados.

Estes macabros episódios de enforcamentos têm de ser reflexos visíveis das dificuldades internas do Iraque e das suas relações de força (entre ayatollahs, entenda-se), embora não haja qualquer justificação para "selvajarias", como a pena de morte.

Não havendo justificação resta-nos interpretar e, inequivocamente, condenar.

a) e-pá Dom Set 09, 11:30:00 PM

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O Sr. Duarte Pio e o opúsculo

Coimbra - Igreja de Santa Cruz, 11-04-2017