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O Sr. Duarte Pio e o opúsculo
Por
Carlos Esperança
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Li no excelente blogue De Rerum Natura , num post de Carlos Fiolhais , o seguinte: «De facto, o candidato a rei é autor de um opúsculo laudatório do Beato Nuno, onde se pode ler esta pérola: “Q uando passava de Tomar a caminho de Aljubarrota, a 13 de Agosto de 1385, D. Nuno foi atraído a Cova da Iria, onde, na companhia dos seus cavaleiros, viu os cavalos do exército ajoelhar, no mesmo local onde, 532 anos mais tarde, durante as conhecidas Aparições Marianas, Deus operou o Milagre do Sol» (“D. Nuno de Santa Maria - O Santo” , ACD Editores, 2005).»
Fiquei maravilhado com o que li e, sobretudo, por saber que o Sr. Duarte Pio escreve.
O Sr. Duarte Pio, suíço alemão, da família Bourbon, imigrante nacionalizado português pela conivência de Salazar e pelo cumprimento do Serviço Militar Obrigatório, podia emprestar a imagem às revistas do coração mas precaver-se contra a ideia de publicar opúsculos.
Claro que não é necessário saber falar para escrever e, muito menos, ...
Notícias do dia
Por
Carlos Esperança
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Comentários
Rafsandjani foi o anterior presidente do Irão (2 mandatos) sob a capa de, politicamente, ser um conservador moderado, e tentou imprimir um "ar de Primavera".
Não conseguiu impor-se aos fundamentalistas (não evitou contínuas violações dos direitos humanos), lançou a País numa crise económica e de certo modo foi uma desilusão.
Nas últimas eleições presidenciais, sem contar com o apoio do lider absoluto (supremo) ayatollah Khamenei é derrotado pelo actual presidente Ahmadinejad, entrando numa aparente "travessia do deserto" até à recente eleição onde derrotou um (outro) ayatollah ultra-conservador.
Esta "intranquilidade" que é traduzida por desumanas e inúmeras execuções (nehuma é justificável) mostra alguma inquietação e evidencia focos de tensão no seio da cúpula dirigente iraniana, dominada por uma clique (com nuances mais religiosas e comportamentais do que políticas) de ayatollahs.
Todos sabemos que a repressão é sempre um sinal de fraqueza. E a sua irracional intensificação traduz, tão somente, desespero.
De facto, a situação política do Irão é, neste momento, muito complicada.
Potência regional (no Médio Oriente), fortalecida pela nefasta guerra do Iraque, é objecto de um apertado cerco, encabeçado pelo EUA que, com base no desenvolvimento de um programa nuclear (civil? / bélico?) próprio, pretende retirar-lhe liderança militar. No aspecto político-religioso (no Irão as questões são sempre mistas) os ganhos são evidentes, embora ainda não consolidados.
Estes macabros episódios de enforcamentos têm de ser reflexos visíveis das dificuldades internas do Iraque e das suas relações de força (entre ayatollahs, entenda-se), embora não haja qualquer justificação para "selvajarias", como a pena de morte.
Não havendo justificação resta-nos interpretar e, inequivocamente, condenar.