PR - Bom discurso, excelente intervenção
«Questiono-me sobre se não estaremos no limiar da eficácia das políticas tradicionais de protecção social», disse Aníbal Cavaco Silva, numa intervenção perante a sessão plenária do Parlamento Europeu.
«Como é que a Europa, que enfrenta o risco de um envelhecimento acentuado e de uma recessão demográfica sustentada, não valoriza o seu mais importante activo, que são as suas crianças e os seus jovens?», questionou, sublinhando a necessidade de reforma do modelo social».
Comentário: Clara e inequívoca demarcação da política económica da direita.

Comentários
Não seria hora de Cavaco se transferir para a "esquerda" e Sócrates para a "Direita"?
O seu comentário é, no meu ponto de vista, interessante e justo, mas não esqueça a posição do PR na despenalização do aborto e, recentemente, no veto de um diploma (aprovado por todos os partidos) e que reforçava o poder dos cidadãos perante o Estado.
Ninguém é sempre bom ou eternamente mau.
Cavaco, em minha opinião, questionou o chamado "modelo social europeu".
Ele é - não tenhamos medo de ser redutores - um economista.
O modelo existente - cheio de falhas e imperfeições - é um dos patrimónios da Europa e tem sido o cavalo de batalha dos liberais que, no seu ideário, acham que, o mesmo, nos retira competividade, reduz a produtividade, trava o desenvolvimento.
Cavaco tem outros "modelos":
a China, a India, Singapura, etc.
É um adulador do processo de globalização e mede tudo à volta dessa bitola.
Para Cavaco os jovens são: "o mais imortante activo".
Pergunto eu:
-para treiná-los, adestrá-los, na introdução no processo produtivo e competitivo, desta economia global (tal como está);
ou,
- para educá-los, acarinhá-los, instruí-los e dar-lhes acesso à cultura e torná-los herdeiros de um futuro diferente e melhor dos actuais jovens?
Quanto a mim, no discurso do PR, não há, nem clara, nem inequívoca, demarcação da Direita.
Há, a Direita como ela sempre foi:
dúbia, enfabuladora, perversora e muitas vezes manipuladora (quando não apropriadora) dos ideais sociais-democratas - deixo de lado o socialismo.
Perante a inevitável pergunta se Sócrates faria outro, ou um melhor, discurso, sinceramente, a minha resposta é:
"não sei"!
Tal é a confusão que reina no espectro político desta República.
Não tenho esse entendimento nem partilho a sua visão pessimista, tendo em conta o que o PR disse no referido discurso.
"Ninguém é sempre bom ou eternamente mau."
Esta frase, vindo de quem vem dá mesmo vontade de rir... ahahahahaha
Neste blog, os do PS são sempre bons e os do PSD e CDS/PP são eternamente maus !!!
ahahahahahahah dá cá uma vontade de rir...que hipocrisia...agora, faça lá o favor de apagar este comentário, mas pelo menos vocês leu-o !
ahahahahahahahahaha
Quanto a si, C. Esperança, não esqueça quantas vezes os socialistas tomam posições bem direitinhas...
Os homemns não mudam assim tão facilmente. Por vezes podem fazer derivas momentâneas. Mas nem disso se trata.
O discurso à volta da reforma do política social europeia é, só, aparentemente, uma deriva.
Cavaco defende "à ultrance" a aprovação - sem referendo - de um "tratado" europeu na sequência do tal pacto constitucional europeu, rejeitado na Holanda e na França, pelo voto popular. E antes que aparecessem mais desastres ficou-se por aí, defendendo-se (Cavaco à cabeça) agora métodos mais expeditos e com menos riscos (democráticos, entenda-se).
A crise no tratado constitucional nasce, precisamente e fundamentalmente, por questões sociais.
O ferrete social europeu é a "directiva Bolkenstein" que, pura e simplesmente, põe em causa um dos pricípios basilares do Tratado de Roma. Isto é, o princípio da igualdade e não discriminação dos trabalhadores - "atando-os" (economicamente) ao "país de origem", em direitos sociais e regalias remuneratórias.
Quando se fala em questões sociais na Europa não se pode ignorar esta directiva. Ela é a fronteira entre a Direita liberal e a Esquerda (de diversas matizes).
Ela (a citada directiva) colou-se aos defensores económicos da golobalização, a qualquer preço.
Foi por aí que Cavaco Silva se passeou. Por onde já tinha passeado Barroso.
Portanto, peço desculpa de insistir mas, em minha opinião Cavaco não abordou a questão da reforma social. Contentou-se a falar disso mas contornou (ignorou)o essencial da política social europeia. Evidentemente, porque, quer queira quer não, não consegue separa-se de uma visão eminentemente economicista da Europa. Não ganhamos nada em iludir esta situação.
O resto foi um pouco de teatro, como convém, nestas circunstâncias.
E já que falamos em teatro aproveito para citar, a propósito deste caso, um grande dramarturgo inglês:
"Os homens deviam ser o que parecem ou, pelo menos, não parecerem o que não são"...
(William Shakespeare).
Sobre o discurso no PE, não deito foguetes e, muito menos, irei apanhar as canas. Continuo a observá-lo com espírito crítico e, espero, com equilíbrio e justiça.