Sic transil gloria mundi

O sumiço de uma criança loura e linda, filha de um casal elegante e fino, crente e culto, fez correr rios de tinta nos jornais de todo o mundo. Quilómetros de película ocuparam batalhões de fotógrafos e as imagens do casal circularam pelos mais importantes canais televisivos do planeta e percorreram a Internet com a foto da criança sempre presente.

Enquanto morreram de inanição, doenças e vítimas de guerras centenas de milhares de crianças sujas e famintas, no mais escandaloso silêncio e na mais vil indiferença, o casal McCann guardava as chaves da igreja da paróquia da Luz, e tinha amigos do peito e da missa ávidos de rezarem com ele as orações que a devoção e a ansiedade impunham.

A fé tem um enorme tropismo para as câmaras de televisão. O Papa, sempre atento às desgraças do mundo, recebeu o casal e abençoou a foto da filha ausente num gesto de bom augúrio.

Nas últimas 48 horas tudo mudou. Os aplausos desapareceram, as flores murcharam e as orações ficaram a aguardar uma nova oportunidade.

Não se sabe o desfecho da investigação policial mas, presumindo-se ainda a inocência do casal McCan, já a multidão que levava flores e rezava aflita por Madeleine passou a vaiar os pais como se uma sentença transitada os tivesse condenado. E o Vaticano, na sua milenar sabedoria, já mandou retirar as referências ao caso Madeleine do seu site oficial.

Sic transil gloria mundi. Assim passa a glória deste mundo.

Comentários

Anónimo disse…
Triste, e não comentado por si, é a manipulãção que a PJ e o ministério público têm feito junto dos media através de amigos (como um tal senhor que dá pleo nome da Arbusto Florido) para que todos nós pensemos que a criança foi morta pelos pais.
Aliás faz-me recordar o caso Joana onde a condenação da mãe e tio fez-se devido a uma ~confissão arrancada a fogo e ferro, agora e pq parece mal usar o ferro num casal inglês faz-se verdadeiras torturas psicológicas com 13 horas de interrogaçao e dizendo q durante as 13 horas houve respostas que se contradizem, gostaria de colocar esses inspectores sobre a mesma situação para ver se ao fim de seis horas tb eles não se começavam a enganar nos factos...

Eu não confio na PJ , nem na justiça portuguesa e desconfio q muitos inocentes estão na prisão e que muitos culpados andam por aí com o beneplácito de alguém...
e-pá! disse…
Este caso do desaparecimento de Madeleine McCann é, para mim, um mar de decepções.
Que começam pelas insólitas circunstâncias do acontecimento, pela diferentes deambulações da investigação, pela dificuldade e demora em esclarecer, pela voláteis justificações de culpa, pelas flagelações morais, etc.

Os desenvovimentos das últimas 48 horas, embora inocência de todos tenha de continuar a ser a regra, têm, contudo, o condão de - sem qualquer justificação racional - engrossarem o já pesado rol de decepções.

As decepções vão ser dificeis de digerir, mas vida vai paulatinamente - com maior ou menor dor - resolvê-las.

A todos os interessados na resolução deste trágico caso (e por princípio é a sociedade) torna-se necessário evitar a derradeira decepção, e esta seria não dar tempo para esclarecer, investigar e tentar desmontar o sucedido, trazer á superficie o que se apresenta oculto e, sejamos humanos, desvendar o incompreensível.

Julgar, neste momento, é prematuro, desmedido, secundário e inoportuno.

Porque a grande decepção é, para além de toda a ansiedade, do desespero e do temor, o momento em que o desaparecimento (este ou qualquer outro) se torna irremediável. E não veremos mais os que amamos, os que deveriamos ter amado mais e melhor ou os que pelas circunstâncias da vida entraram no estreito circulo das nossas afectividades e daí não saiem.
Anónimo disse…
A tramóia dos McCann, até envolveu o Papa...este post, pretende decerto, transmitir que a igreja está envolvida.

A polícia portuguesa é muito capaz, com tranquilidade, vai dar solução ao caso.
Apóstolo TDS disse…
Fantástico este artigo, Carlos. Gostaria (gostava) de sua permissão para o reproduzir em meu blog. Queria muito ter um artigo relacionado ào caso Madeleine nos meus posts mas, infelizmente, ainda não tive tempo de bolar um bem bom. E, ao andar por estes lados do seu blog, e deparando-me com este artigo, achei-o simplesmente fantástico (típico dos artigos do Carlos).

Dar-me-á sua permissão para lá colocar?
Apóstolo TDS disse…
Carlos,

levando em conta sua demora em vir até aqui e dizer se permite ou não bem como imaginando já de antemão que tú não se importaria em deixar que eu colocasse essa excelente postagem lá no meu blo, coloquei-o memso assim.

Espero que não se importe mesmo, do contrário terei de excluir completamente.

Sua mente é brilhante e a admiro. Um dia terei uma mente tão brilhante quanto a sua.

Abraços e até breve.
Anónimo disse…
Wanderley Veras:

Todos os meus artigos, passados e futuros, estão à sua disposição embora os não considere, assim, tão brilhantes.

Abraço.
Anónimo disse…
Que inventará agora o "regente mor" da Igreja Católica, para dar a volta a mais esta sua "gaffe"?.
Anónimo disse…
Carlos,

Saudações. Seus escritos estão sendo divulgados por ai. Veja este exemplo: http://pt.muestrarios.org/b/ondeestamadeleine.html