Monsaraz - Touro morre na arena
A violência, transmitida através de gerações, entranha-se no código genético de pessoas pouco instruídas ou de tradição marialva.Depois do infeliz foral de Barrancos eis que, em Monsaraz, a morte de um touro, na arena, fez exultar a populaça com a orgia de sangue e barbárie. É assim que se libertam os instintos primários, se acicata o gosto pela violência e se banaliza a crueldade.
O mais preocupante não é o desafio à autoridade do Estado. De vez em quando, ignotas aldeias, com pretensões a serem sedes de concelho, desafiam a ordem pública com o corte de vias de comunicação e em total impunidade. Os bandos surgem quando cheira o poder a um cacique e desaparecem ao primeiro sinal de derrota.
O que está em causa nos touros de morte é o culto das piores tradições, a satisfação dos mais baixos instintos e a crueldade.
Um povo que se diverte com o sofrimento dos animais não é um país de cidadãos, é um bando ululante de biltres à solta divertindo-se com a dor.
A Santa Casa da Misericórdia de Monsaraz ao patrocinar o espectáculo degradante não faz jus ao nome, participa num acto de sadismo em nome da tradição. Uma vergonha. Um nojo.
Comentários
O "foral de Barrancos", como lhe chama, tinha de ter consequências, essencialmente, regionais.
Foi no caso de Barrancos evocada, fundamentalmente, a tradição.
Ora, esta tradição, pulula em muitas aldeias e vilas do Alentejo (Alentejo Estremenho).
Hoje foi em Monsaraz, amanhã será numa recondida aldeia alentejana (sem qualquer publicidade) e assim por diante.
Embora não aceitando a crueldade inerente a estas situações antevejo que não vai ser fácil descalçar esta bota.
"Crueldade", talvez (!!!), mas começo por perguntar quem é que já não comeu um bife de novilho, ou um bife?.
"Crueldade"? E aqueles que passam diáriamente fome e não espetados por farpas, não têm nada, e as pessoas se esquecem deles?.
"Crueldade"?. Como se chamarão aos muitos que saem de casa sem comer, dinheiro, e sem esperança ?.
Há muitas mais "crueldades" no Mundo contemporâneo, e que as pessoas, deixam passar . . . despercebidas.
Estavamos a falar de touros de morte... e aí, penso que existe um espectáculo cruento.
A tourada à portuguesa é, em minha opinião, uma lide totalmente diferente.
Não acha?
Imaginemos um mundo à Jean de la Fontaine em que os Touros discutiam entre si se eram contra ou a favor das "Homemadas".
A morte, com uma estucada, é rápida, o animal não sofre e o zé povinho diverte-se.
Eles são mortos no matadouro...e ninguém protesta.
Assim caro e-pá, ao fim e ao cabo estamos de acordo; certo?.
Que morra a tourada!que morra a tourada!
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