Momento de poesia

Poeira

Não é para que me leias,
Que verto neste papel
O sangue das minhas veias.
Se me leres, é coincidência.
É porque o destino impele,
Sem a minha conivência,
Por trilhos indesejados,
Esses versos mal rimados,
Letra por letra inspirados
Na raiva da sua ausência.

Escrevo não sei a quem,
Nem porquê, nem com que fim.
Mas sinto que me faz bem,
Se a sós contigo converso,
Traindo o que vai em mim.
Gosto de escrever em verso,
P’ra mentir mais à vontade,
Para ocultar a verdade,
Que há por trás da tempestade
Em que a rimar me disperso.

Eu sei lá por que é que escrevo!
É talvez uma defesa.
Só escrevendo me atrevo
A vencer a timidez
Da minha eterna incerteza.
Vivo à mercê de um Talvez,
Que é talvez o desespero
De não saber o que quero
E forçado a ser zero
À espera da minha vez.

E ao sabor da consonância,
Escrevo e não digo nada.
É um murmúrio à distância,
Uma vibração sem onda,
Uma mensagem cifrada.
É possível que eu me esconda,
Na poeira do que digo,
Só para não correr perigo
De encontrar algum amigo,
Que me entenda e responda…

Armando Moradas Ferreira

Comentários

Anónimo disse…
Bonito, como e quando sao os momentos de Poesia com a sua vivência própria.
Anónimo disse…
Poeira para os olhos,é o lema a que este blogger alapado ao PS,grande responsável pelo estado a que estamos a chegar,com o cortejo de pobres(explorados,ex-camarada!)que são bem mais que os 2 milhões e as grandes fortunas dos Belmiros que num ano quase duplicou a sua (nossa,pq roubada com a ajuda de Vª Ecª,que se dizem de 'socialista).
Eis a liberdade de expressão com que vc está a cimentar a estrada para o fascismo(i.e,o poder absoluto do dinheiro-o vosso deus,pq não é só o ICAR q é obsoleto e anacrónico).Vª Excª tb o são crentes na justiça do mais forte e,logo responsáveis pelo estado a que chegámos.se este país está assim tal deve ser assacado à falta de rigor ,responsabilidade,falta de honorabilidade,incompetência e claro,ao esbulho da propriedade pública com proveito para a sua seita de eleitos,já que os votantes nos vossos partidos corruptos são uns pobres tristes pq só se enterram
Anónimo disse…
Anónimo Qua Out 17, 01:41:00 PM:

Não costumo responder a insultos nem a prosa que não compreenda cabalmente, mas não posso deixar de responder ao que me parecem insinuações:

1 - Nunca pertenci ao PCP nem estive inscrito em qualquer partido apesar da minha longa militância cívica;

2 - Nunca recebi um cêntimo do Estado fora do meu vencimento de professor, profissão que abandonei em 1971 por razões económicas, tendo passado a trabalhar numa espresa privada;

3 - O uso da palavra «fascismo» pelo anónimo comentador resulta do desconhecimento do que foi o fascismo ou é usada com absoluta má-fé.

4 - O comentário é absolutamente desajustado ao post e só não o apaguei para que não pensasse que os insultos pessoais me impedem de intervir civicamente da única maneira que sei - pela palavra.

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