A euforia no arraial da direita

Penso que não é justo deslegitimar os resultados eleitorais, sejam eles quais forem, sob o pretexto da abstenção. Votou quem quis e, contrariamente a Carlos César, entendo que não se deve levar o eleitor às urnas pela arreata.

A vitória do PSD é um facto e significa que os governos de Durão Barroso e de Santana Lopes já foram esquecidos. O intriguista-mor do reino – o inefável Marcelo – já afirmou que o PS luta agora pela sobrevivência. É um exagerado esse publicitário que nunca tem dúvidas e raramente acerta. Foi derrotado nas eleições europeias pelos resultados de Paulo Rangel, a quem se opunha.

O que é interessante é a ânsia da direita de criar a dinâmica de vitória com os resultados obtidos nas eleições europeias. Claro que voltará a ser poder e, ainda bem, significa que a alternância democrática não é uma ficção e que esta direita, embora saloia e pouco fiável, pode urbanizar-se e rodear-se de quadros que vejam para além da privatização da CGD e da obstrução aos grandes projectos de obras públicas.

Como a vergonha não é o forte, o PSD já esqueceu que Durão Barroso, que deixou de ser uma desgraça nacional e se converteu numa tragédia europeia, ganhou as eleições com a promessa da privatização da CGD e o fim do TGV. No tempo que foi Governo, antes de fugir, não privatizou a Caixa mas teve tempo de assinar com Espanha o compromisso de 5 (cinco) itinerário de TGV com a anuência da ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite.

Há quem acredite no PSD e tem todo o direito. O nosso presidente da República até crê na cura do olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus pelo defunto D. Nuno.

Já a euforia que vai nos arraiais da direita me parece exagerada. O PSD teve 31,69% dos votos e o CDS, que anda em delírio, alcanço 8,37% e passou, pela primeira vez, a ser o mais pequeno dos partidos com representação parlamentar. Juntos têm 40% dos votos e um passado comum pouco recomendável.

Desde o dia das eleições que não me larga uma velha anedota que, apesar de brejeira, não resisto a partilhar com os leitores:

Na milenária China um mandarim condenou à morte três homens mas decidiu que os libertaria se a soma do comprimento dos seus pénis, em erecção, atingisse 35 centímetros. Esforçaram-se os condenados por dar o melhor de si. O primeiro conseguiu 14 centímetros, o segundo 13 e o terceiro, num derradeiro esforço, atingiu 8. Quando comemoravam a vitória o último não se conteve e, eufórico, desabafou… se não fossem os meus 8 centímetros!

Comentários

Mano 69 disse…
E o candidato do PS, o avô cantigas?
andrepereira disse…
A verdade é que agora há hipóteses credíveis de o PSD ganhar as eleições. Sócrates tem que mostrar Ministros com menos arrogância e com mais sensibilidade negocial e social.
polytikan disse…
O "avô cantigas" de que fala o simpático comentador teve o mérito de colocar Coimbra no mapa político, trazendo cá os líderes socialistas da peninsula ibérica e dando à lusa-atenas um cabeça-de-lista europeu, coisa pouco vista nos dias que correm e nem menos invejada.
não lhe valeu de muito, é verdade, nem pelas bandas de Coimbra, a julgar pelos resultados.
mas lá afirmou Coimbra como cidade política europeia, remando contra os ventos e marés dos bacocos provincianos que teimam em amesquinhar esta cidade, que têm por coutada de uns poucos fidalgos e que vêm no respectivo umbigo a medida de todas as coisas.

se calhar andou a pregar no deserto. mas também houve quem pregasse aos peixes!...
reconheça-se ao menos que o "avô cantigas" tem uma uma ideia de Europa e que lutou por ela, ao invés de andar apenas a lutar pelo tacho e pela sobrevivência dentro de um partido.
André:

Para mim, mais importante do que ganhar eleições são as políticas que os partidos levam à prática.

Governar para ganhar votos pode representar, no extremo, uma forma de trair os interesses do país.

Desde o primeiro dia em que o Governo afrontou interesses instalados percebi que punha em causa a sua reeleição e as sondagens deixavam-me admirado.

Que perca as eleições mas que não traia o seu programa e o que julga melhor para o futuro do País.

A arrogância de que se fala tomei-a por convicções. E nestas não pode haver cedências. Depois, os portugueses que julguem.

Perder eleições não é um drama. Governar para as ganhar, pode ser.
andrepereira disse…
Concordo com o polytican e presto a minha humilde homenagem à campanha de Vital Moreira, e estou certo que Coimbra terá um excelente deputado na Europa e a o Parlamento Europeu ganhou um excelente pensador e deputado.
Quanto ao Governo, as convicções confundem-se com teimosia ou birra. No domingo à noite percebi que houve uma quebra com a base social de apoio em termos significativos. Alegre tinha razão, embora não fosse razão para ele sorrir frente às Câmaras. Ainda ontem reli uma entrevista ao Ministro da Agricultura, que até me parece muito bem preparado, e que respondia, quando interpelado sobre as manifestações, "O Governo tem boas sondagens"... Pois é tempo de concluir que o Governo se deixou divorciar dos portugueses. Já pensou, Carlos Esperança, que apenas 7 ou 8 em cada 100 portugueses foram votar PS?...
Em democracia, governar não é ser contra o povo...
André:

«Em democracia, governar não é ser contra o povo...»

...mas pode ser contra o que agrada ao povo. E isso distingue os governantes dos demagogos.

Eu estou desejoso de ver a D.Manuela no Governo por causa dos juros dos Certificados de Aforro.

Estou com os professores que não querem esta ou outra avaliação, com os magistrados que querem regressar às férias anteriores e acabar com a informatização. Estou com a CAP que quer os subsídios para os latifundiários e, sobretudo, com os socialistas que ficaram satisfeitos com a derrota do seu partido.

Enfim estou com tudo o que o PSD disse que queria mas corro o risco de ficar sem país.
polytikan disse…
o país corre o risco de ficar como o slb: a mudar de treinador no final de cada época e a viver de recordações e peditórios nacionais.

mas parece óbvio que sócrates tem que apresentar reforços para a próxima época. muitos dos actuais ministros estão completamente gastos e não podem ser recauchutados.

curioso será ver se os socialistas vão entregar o poder de mão beijada
aos mesmos de sempre ou se pelo contrário têm capacidade de renovação e de se mobilizarem para continuar a modernização do país.

sócrates sofreu muito com os casos independente e freeport. mas ainda mexe e exige-se-lhe agora que tenha a força necessária para derrotar os seus inimigos (que os tem e não são poucos): a mesquinhez e o atavismo.
Estou convencido de que o PS ganhará as eleições legistativas. A dúvida é se terá ou não maioria absoluta.
É que, infelizmente, a maior parte dos portugueses não tem consciência da importância das eleições europeias. Por isso votaram como se estas eleições fossem "a feijões". E como quase toda a gente tem motivos para se queixar(eu próprio, que votei PS por saber distinguir os meus interesses pessoais dos interesses do País, tenho motivos de queixa: por exemplo, como advogado com 63 anos de idade, para mim essa coisa da informática nos tribunais é uma grande chatice; mas reconheço que isso que a mim pessoalmente me chateia é bom para a Justiça e para o País; eu é que tenho de me adaptar), muita gente votou noutros partidos para protestar contra essas coisas chatas.
Mas as legislativas já não são "a feijões". Aí trata-se de optar entre ser governado pelo PS ou ser governado outra vez por uma coligação PSD/CDS, de triste e vergonhosa memória.Ou, pessoalizando, de ser governado por Sócrates ou pela Dr.ª Manuela, que já foi ministra da Educação e creio que também das Finanças e não deixou saudades a ninguém; antes pelo contrário.
Isto é: as eleições legislativas já não serão "a feijões", mas sim "a doer". Assim sendo, creio que o bom senso imperará.

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