Situacionismo - uma excelente decisão

O primeiro-ministro afirmou hoje que a solução apresentada pelo Governo para o Banco Privado Português (BPP) foi desenhada "em nome dos interesses dos contribuintes", apesar de partilhar da "insatisfação dos clientes" da instituição financeira.

Comentário - Perder eleições é um risco que só os democratas correm. Tomar decisões impopulares é uma opção que só os patriotas assumem.

Comentários

polytikan disse…
parece que andam a ler o ponteeuropa. mas resta saber se o bpn (ou seja, a caixa, logo o suspeito do costume) não vai ser a esponja disso tudo. cá estaremos para ver.
Polytikan:

Não meto as mãos no fogo, mas confio na decisão e duvido que outro partido tivesse a mesma coragem.
e-pá! disse…
Uma divulgada tomada de posição sobre o BPP ainda não estará no papel... Ficou pelo anúncio nos media.

O que já existe é um compromisso público do Senhor 1º. Ministro de que a decisão que será tomada "protege os interesses dos contribuintes".
Depois de tanta estratégia para resolver a situação, finalmente, apareceram os contribuintes.

É preciso ter a noção que o Estado já se intrometeu no BPP.
Em Dezembro, o Estado emprestou 450 milhões de euros ao BPP, contra garantias.
É uma operação normal do mercado financeiro desde que as garantias sejam reais, i.e., seja "boa moeda" de troca.
Esse empréstimo, que funcionou como um aval do Estado, levou um "grupo de clientes do BPP" a afirmar que serviu para salvar imediatamente os megadepositantes do BPP, gente que ligam ao poder, ao regime...
Recentes, movimentações em activos deste banco, nomeadamente em offshores, levaram a PJ e o MP a actuar junto de escritórios de advogados que representariam interesses de investidores ou ex-dirigentes do Banco.
Portanto, ao que parece o BPP não caíu no fosso do "situacionismo"...

Mas, o importante é a posição actual do Governo :
"O Estado não vai garantir aos clientes do BPP os investimentos de retorno garantido."

Resta saber quais os bancos que estarão interessados em trocar os actuais activos dos clientes do BPP, por novos títulos...
E, finalmente, como referiu o Ministro Teixeira dos Santos, a CGD não entra nesta fase de renovação dos títulos, não vá haver confusões.
A intervenção da CGD foi deferida para numa fase mais avançada do processo, sem explicar como

É preciso ter a noção que o Estado já se intrometeu no BPP.
Em Dezembro, o Estado emprestou 450 milhões de euros ao BPP, contra garantias. É uma operação normal do mercado financeiro desde que as garantias sejam reais e "boa moeda".
Esse empréstimo, que funcionou como um aval do Estado, como afirmam um "grupo de clientes do BPP" serviu para salvar imediatamente os megadepositantes do BPP, gente que ligam ao poder, ao regime...

Nesta altura do campeonato - isto é depois do desaire das europeias - qualquer proposta solução que hipotecasse dinheiros dos contribuintes para resolver os problemas da privatebanking seria, para além de ser financeiramente um clamoroso erro, um suicídio político...

O Governo faz passar a ideia de que está contristado por não poder ajudar os investidores do BPP. Sócrates referiu "que os clientes estão insatisfeitos" e que "partilha desse sentimento".
Os portugueses - não lhe foi explicado a natureza desses investimentos - suspeitam que o BPP actuava nos mercados financeiros, nomeadamente, nos offshores e na alavancagem de fundos, com fins gananciosos e especulativos.
O Governo quando não toma uma posição firme e, penso que por motivos humanitários, se associa à insatisfação e à lamúria dos investidores, aparece, como orgão público, pesaroso tempos de neoliberalismo e do mercado "livre" (de qualquer regulação). O Governo, deste modo, quer agradar a gregos e a troianos. Não é possível. A imagem que tem de ser transmitida aos portugueses é que o mercado financeiro - a Bolsa - faz negócios, mas as instituições financeiras terão de ser reguladas pelo BdP e pela CMVM, observando princípios éticos.

Mas, muitos portugueses, interrogam-se sobre as razões porque o BPP ainda não abriu falência.
Há risco sistémico para a banca?
Ou têm vencido as posições "situacionistas"?

Na realidade estamos todos convictos que a actuação dos corpos sociais do BPP ao longo dos anos está a ser investigada pelo MP. E, o "segredo de justiça" não nos permite nem sequer avaliar a natureza e a dimensão das eventuais irregularidades, crimes fiscais, ou qualquer outro tipo de infracção.

Bernard Madoff, com certeza no centro de um processo mais complexo do que o do BPP, penhoraram-lhe os bens (os que estavam em seu nome, da família e de pessoas de confiança,...), foi julgado (confessou os crimes e as burlas) e está a cumprir pena.
andrepereira disse…
Sócrates para além de presidir a uma boa solução, teve uma atitude e uma postura correcta frente às câmaras da TV. Mais humilde, mais humano, mais próximo do cidadão.
Ele que mantenha a sua gravatinha e uma pose de Estado, com rosto humano, e que deixe as sapatilhas e as calças desportivas de super-herói no armário até Novembro...

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