Bloco Central - Quem quer tramar o PS?

Não sei o que deu a alguns políticos portugueses, que começaram, em véspera de eleições, a acenar-nos com o bloco central, solução que desafia a lógica, perturba a estabilidade e agrava a desconfiança dos eleitores.

Só uma razão poderia justificar tão insólita deriva política, depois de esgotadas todas as outras tentativas – a iminência de uma catástrofe social em que a sobrevivência do país dependesse desse arranjo que ampliaria o espaço do radicalismo à esquerda e à direita.

O país precisa de ser confrontado com os desafios que se lhe deparam e terá de escolher entre a governabilidade e a instabilidade, entre soluções ultra-liberais e as estatizantes, entre partidos capazes de gerir a crise e partidos que insistam em utopias. Se os eleitores optarem por não dar, nas urnas, uma maioria absoluta, terão muito provavelmente de ir de novo a votos, com os prejuízos e incertezas que afundam, ainda mais, a economia.

Mas este é um preço que teremos de pagar, a única forma de saber se o PCP e o BE estão dispostos a partilhar responsabilidades de Governo ou se apenas querem navegar a onda da revolta, perante o desemprego e a angústia dos portugueses.

Salvo em situação de catástrofe, a aliança do PS com o PSD é inaceitável. E a proposta, neste momento, só pode ser interpretada como ajuda ao PSD.

Perturbador é o facto de a sugestão ter partido de Cavaco Silva, o grande adversário do bloco central, cuja táctica lhe permitiu passar de obscuro e pouco assíduo professor universitário a primeiro-ministro de Portugal, em tempo de vacas gordas.

A sugestão que o PR agora faz, ética e politicamente inaceitável, só pode inserir-se na luta partidária, para impedir a maioria ao PS. É uma forma de tentar alterar a correlação de forças entre os dois partidos e de transformar em poder efectivo a irrelevância a que uma maioria coerente o condena.

A táctica partidária da qual colheu frutos é intolerável nas funções que ora ocupa por mais que convenha à sua reeleição. O PR deve acabar o mandato com dignidade sem se tornar factor de instabilidade ao serviço de ambições pessoais ou fidelidade partidária.

Comentários

LINDA FIGUEIRA! disse…
É evidente que o presidente está a tentar diminuir as chances ao PS nas próximas eleições, bem como, a criar grande instabilidade na tendência de voto dos portugueses.

Ele devia era preocupar-se com o que deverão estar a pensar os portugueses da não tomada de posição de sua parte em relação à permanência de Dias Loureiro no Conselho de Estado...
e-pá! disse…
O recente "falatório" sobre o bloco central, baseia-se no princípio que a esperada (ou deseperada) recuperação, desta crise, vai colocar sobre a mesa incontroláveis oportunidades.
Assim, só uma gestão coordenada e repartida de interesses, pode garantir que a dita recuperação será uma óptima oportunidade de negócio - sempre para os mesmos! Esta concertação de interesses só um governo de bloco central pode garantir! E a sua exequilidade passa pela intromissão na área governativa do PR. Isto é, a total prostituição da separação de poderes.

Esta é a gestão fácilitada da actual crise. O resto são minudências, como a fome, o desemprego, a insolvência das famílias, a destruição das infraestruturas industriais e comerciais, etc.

Por isso, quando ouvirmos perorar algum defensor do "bloco central" o melhor será indagar qual a "janela de negócios", em vista, do referenciado indígena.

A outra situação colocada, isto é, a eminência de uma situação de catástrofe, ou de banca rota, não será viavel um governo do bloco central.
Nessas dramáticas circunstâncias só um governo de salvação nacional... o que não parece exequível, nem tem sido ventilado, até para afastar alarmismos.
Parabêns pelo Blog.
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polytikan disse…
o cs deu em casamenteiro?...
à espera de viúva rica?...
e-pá! disse…
Caro polytikan:

É ler a entrevista de hoje (10.05.09) ao Jornal Público, pág. 8, debitada por Paulo Portas... linkO que está lá escrito e o que ficou nas entrelinhas...

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