Tradição e civilização

Joanesburgo – Jacob Zuma, o líder do ANC, partido que venceu as eleições presidenciais sul-africanas, terá que escolher qual das suas actuais duas mulheres será a primeira dama.
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Comentário: A poligamia pode ser uma tradição cultural, tal como o esclavagismo e a tortura, por exemplo. Mas há uma boa razão para a condenar - o facto de não existir a ploliandria. A sociedades patriarcais não são livres e a democracia exige igualdade de género.

Comentários

e-pá! disse…
Na verdade a figura de "1º. dama", independentemente da tradição social local, ou regional, ser patriarcal ou matriarcal (que também as há...) é, muitos casos, um resquício monárquico, que se veio tardiamente a revelar em muitas repúblicas.

O Presidente da República quer seja eleito por escrutínio universal, quer seja por uma Câmara empossada desses poderes (Parlamento, Colégio eleitoral, etc.) é sempre um orgão de poder unipessoal.

Nos tempos de antanho a mulher que casava com o rei tornava-se automaticamente rainha e tinha privilégios, em alguns casos até sucessórios. Para além de, praticamente, deixar de ser humano e trnasformar-se numa espécie de Instituição de Solidariedade Social...

Isto porque o topo da hierarquia do poder dissolvia-se por uma corte - normalmente parasitária e esbanjadora do erário público.
Outros casos, nasceram de popuplismos messiânicos, como na 2º. fase do peronismo, etc.

Nos dias que correm, no centro do Mundo civilizado, europeu, estamos a observar a caricata figura de Berlusconi e da sua esposa (ou ex-esposa?)Veronica lario que, por artes mágicas, parece ser a coqueluche da "nova esquerda" italiana...

Como esta confusões todas, e voltando à situação de Jacob Zumba que, julgo, deverá, segundo os canones da poligamia, tratar de igual modo (sem discriminação)todas as mulheres que a tradição, ou a religião, lhe autoriza a co-habitar, parece dever ser de aproveitar o momento de revisitarmos os actuais protocolos e refressarmos à velha tradição republicana em que a mulher do presidente era uma cidadão com um estatuto igaul às restantes.

Miterrand, por razões de republicanismo e affaires sentimentais, praticou esta política.
Danielle Miterrand era uma mulher de uma cultura extraordinária, mas manteve-se sempre na sombra...

Assim, fim ao estatuto da 1º. dama, nas repúblicas...

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