Grandes Portugueses

Ponte Europa/Pitecos - Zédalmeida


Chegam-me ecos de um concurso da RTP para eleger o maior português de sempre. Dizem-me que entre os dez mais votados se encontra a figura sinistra de Oliveira Salazar. Não é motivo para alarme. Hitler e Mussolini foram amados e eram crápulas da pior espécie.

Franco era facínora e lembro-me das manifestações de apoio e do choro das carpideiras quando deixou de respirar. Pinochet teve o Chile a seus pés. Estaline era pai da União Soviética e a sua morte, muito chorada, não fez esquecer os assassínios em massa e o carácter do psicopata.

O Aiatolá Khomeini teve o mais pungente funeral de que me recordo e não me merece qualquer respeito o histerismo das multidões que o adoraram nem benevolência os actos cruéis que praticou.

Salazar foi um biltre ultrapassado no tempo, um seminarista manhoso que precisou da PIDE para se proteger e nos oprimir. A «eleição» que a RTP faz é à imagem das que o ditador consentia. São «chapeladas» de telefonemas a favor do carrasco. Com Salazar eu não tive direito a votar livremente, hoje não aceito examinar o seu lugar na História e recusar-me-ia a discutir o seu lugar no Inferno.

O que me dói é o desrespeito pela memória dos que matou, prendeu, exilou e deportou. O que me envergonha é ver glorificado quem reduziu o ensino obrigatório a quatro anos para meninos e três para meninas; ver recordado quem tinha o povo a morrer de fome e de vergonha, alimentado com esmolas da Cáritas e remessas dos emigrantes.

Mitómano e cobarde, lembro-me de acusar os comunistas da morte do general Delgado, sabendo que uma brigada chefiada por Rosa Casaco o foi abater a Espanha.

Que pensarão todos os que foram agredidos, humilhados e demitidos dos seus empregos desta descarada manipulação fascista que se vinga da democracia e ofende a liberdade?

Comentários

Anónimo disse…
ESCANDALOSO É O 17º LUGAR DE PINTO DA COSTA...

SALAZAR entre os dez maiores de sempre é exagero, mas entre os cem maiores terá direito a um lugar qualquer, apesar de deportar, matar e outras cenas contidas no texto. Infelizmente era a fruta da época que continua por aí em alguns pomares.

ESCANDALOSO mesmo é o 17º lugar de Pinto da Costa entre os cem maiores portugueses de sempre. A cidade do Poto ainda não reagiu a esta classificação por isso será dela a votação.

É uma atitude indigna só de pensar dar a este homem da noite e frequentador de bares de alterne um lugar entre os cem maiores portugueses de sempre.

A cidade do PORTO falhou. NÃO É DIGNA DE SI.

MM
e-pá! disse…
Os "rankings" estão na moda!
A percepção que fica é muito estranha.
Na memória histórica permanece o "vulto" e não o Homem.
Um vulto que pode ter diversos contornos (sempre imprecisos): sorumbático, fascínora, ditatorial, prevertido, "ganhador", etc., mas, também, insondável, misterioso, belo (porque não?), sedutor ...
O vulto é, muitas vezes, cinzento. Uma "sombra" indefinida.

O Homem é mais profundo. Diria que, na prática, "injulgável".
Daí que grandes Homens estejam, fora (ou acima), de todos "rankings".
Anónimo disse…
Creio que se trata dum exercício de boa vontade ingénua, esse de considerar que se trata de chapeladas fascistas ou quejandas.
Do que se trata é de inconsciência e de alienação. Dum povo todo, pois claro!
Na mesma linha de imbecilidade geral vem o Pinto da >Costa, qual é a dúvida!
Confundir desejos com realidades dá jeito, mas é ruinoso.
Anónimo disse…
"Este país,senhores, é um buraco onde se cai e um cú de onde não se sai." João César Monteiro.

Quem se espanta com tudo isto, se estamos em plena área da Escatologia?
Anónimo disse…
QUEM NÃO SE ESPANTA,CONSENTE...

Indiferença, não; sou contra.


MM
Anónimo disse…
Salazar foi grande e depois? No seu tempo, durante 40 anos, ninguém lhe chegou às barbas. E depois dele, nesta democracia da treta, que se limitou a vender Portugal ao desbarato e a criar um monstro inconcebível que dá pelo nome de "função pública", qual é o político que se lhe equipara? Nem um para amostra.
Daí que o povo, na sua inquestionável sabedoria, saiba muito bem o que está a fazer.
Repare-se que não respeitar a expressão popular, dizendo que há grandes homens acima do "referendo" é típico de gente anti-democrata. É de gente supostamente iluminada, que se considera acima da arraia miuda, que defende uma certa "cultura" de supostos intelectuais cuja principal função é viver à custa de nós todos através de subsídios estatais e outros subterfúgios do género.
Neste assunto, a referida "eleição" já de si é ridicula porque toda a gente sabe que as figuras não são comparáveis: cada uma viveu o seu tempo como soube e como poude. Mas não deixa de me lembrar os concursos do regime salazarista para escolher a aldeia mais portuguesa de Portugal, etc.
Anónimo disse…
Anónimo Sex Fev 02, 04:58:00 PM:

Não me surpreende que venere um crápula. Não é único. Mas chamar democrática uma eleição telefónica é próprio de um salazarista. Bom proveito.
Anónimo disse…
CARO 4.58 ...

SALAZAR foi grande ?!... Não. Poderia ter sido grande porque teve ocasião para isso. Mas o péssimo trabalho da segunda metade do seu mandato, mandou o razoável trabalho da primeira metade do seu mandato para a sucata.

A desgraça de cidadãos que hoje somos, deve-se muito a SALAZAR. Do que ele deixou (mentalidades retrógradas) resultou o sentido do voto para os cem maiores de sempre na direcção de Pinto da Costa, que obteve o 17º lugar do RANKING.

Votação que desumanamente, a cidade do Porto aceitou, colocando na lista uma personalidade cuja característica principal, parece-me porque dizem isso, é o relacionamento com prostitutas.

PORTO, cidade sem honra nem Glória. Simplesmente Indigno.

MM
Anónimo disse…
E o "bochexas", ficou indignado com a votação, decerto também queria ser um dos 10 "maiores portugueses"...convencido.
Anónimo disse…
Há quem copare democratas de sempre com ditadores de qualquer época.

É a vida
Anónimo disse…
Ao anónimo das 4:58:

Tenho de lhe dar os parabéns pela lucidez com que falou.

A verdade é mesmo essa. Quem mais fala de democracia normalmente pouco a respeita. A esquerdinha então tem esse dom, o de não se poder ver com o poder nas mãos. Conseguimos criar em trinta anos um estado monstro e injusto, comandado por pessoas cuja única habilitação que tinham era a frequência de manifestações. Hoje somos obrigados a escolher entre "profissionais" da política:jovens com poucas ideias ,e ainda menos provas dadas, que aos 15 ou 16 anos já têm aquilo a que chamam uma cor política. Como se a vida fosse um jogo de futebol...
Não sou saudosista porque não era vivo antes da revolução e por isso não sei ao certo o que se passou. A figura de Salazar desapareceu dos livros de história por muitos anos, por exemplo...
Mas já estou como o Miguel Sousa Tavares, que há tempos dizia "que já tem saudades daqueles tempos onde havia mérito e onde apenas eram chamados a discutir o futuro do país as verdadeiras personalidades"

Não me interessa, nem deve interessar a ninguém, o número absoluto de pessoas que votaram em Salazar. Acontece é que são mesmo muitas e, a maior parte delas, pessoas que VIVERAM a época. O que aliás já tinha sido demonstrado o ano passado, penso eu, numa sondagem do público... Isso é que importa discutir.
Se perguntar ao autor deste blog a razão deste fenómeno ele, que é um rapazito, lhe dirá que quem não pensa como ele é ignorante. Já viu a sua ignorância?
Anónimo disse…
Anónimo Seg Fev 05, 02:37:00 PM

Não sou um rapazito como pode ver pela minha identificação de blogger.

Compreendo que não saiba o que é uma ditadura, que não sinta os assassínios cometidos pela PIDE, que desconheça o degredo, mas respeite os que lutaram pela liberdade.
Anónimo disse…
É preciso ser-se muito estúpido para, mesmo sendo jovem, alguém não ter percebido ainda o que foi o regime de Salazar. Se o Salazar fosse querido pela maioria da população, porque é que não fazia eleições livres e honestas? Para que precisava da Censura? E da PIDE? Cada um pode ter as suas ideias, mas não pode querer fazer dos outros parvos. Por outro lado, se a maioria dos portugueses actuais quisesse um salazarismo votaria no CDS, ou em grupelhos ainda mais à direita; ora a verdade insofismável é que quando há eleições a sério esses grupelhos todos somados não conseguem ter mais de 5 ou 6 % dos votos!
Anónimo disse…
Depois de ter chamado estúpido às pessoas que não concordam consigo, demonstrando que está uns furinhos abaixo do respeito que sustenta uma democracia, pensei se lhe havia de responder. Cheguei à conclusão que sim, que o devia fazer. Apesar de tudo, ser democrata é isso mesmo, é perceber que há infinitas maneiras de pensar e é tentar fazer prevalecer a nossa,não com insultos, como fazem os antidemocratas, mas pela força da razão. Da conversa, portanto.

Não me parece dificil perceber que ninguém recorda com agrado tempos de censura. Acontece que as dezenas de anos de salazarismo não se resumem a isso. E tanto os portugueses não gostam disso que quando se viram na eminência de um regime comunista afastaram-no.
Sempre me pareceu ilógico comparar o incomparável.
Neste caso particular, o enquadramento político que levou o prof. Salazar ao poder não é o mesmo de hoje. Parece-me que a acção das pessoas deve ser sempre enquadrada no seu tempo. Já anteriormente aqui o disse: já pensou que antes de haver sabonetes as pessoas não se desinfectavam e não as deve considerar mais "básicas" por isso?
Não percebe que as pessoas apenas têm saudades do tempo em que havia regras e não havia "cunhas"?Do tempo onde havia mérito e reconhecimento? Dos tempos em que as pessoas tinham vergonha na cara em chamar estúpido a alguém?
Anónimo disse…
No tempo do Salazar não havia regras, havia proibições e imposições para o comum dos mortais,e uma total impunidade para os privilegiados do regime.Nunca ouviu falar dos "ballets roses", orgias de pedofilia em que estavam implicados ministros de Salazar? Nunca ouviu falar do assassinato do General Humberto Delgado, comprovadamente cometido por esbirros de Salazar que só depois do 25 de Abril foram julgados? E quanto às cunhas, havia-as cem vezes mais do que agora, só que os jornais não podiam falar nelas, pelo que não davam tanto nas vistas.Mérito?! Reconhecimento?! Havia autênticos atrasados mentais que ocupavam lugares importantes e pessoas de indiscutível mérito que eram demitidas da função pública e proibidas de ensinar? Nunca ouviu falar de Sílvio de Lima? do Prof. Mário Silva? E de tantos outros? De qualquer modo peço-lhe democraticamente desculpa por ter utilizado a palavra "estúpido", que de modo nenhum está nos meus hábitos.Devia ter dito "mal informado" ou "ingénuo". Mas as pessoas têm obrigação de se informar. E tem de compreender que também é ofensivo elogiar o Salazar perante pessoas que foram perseguidas, presas, torturadas ou condenadas ao exílio por causa dele. Quanto aos insultos, fique sabendo, se ainda não sabe, que no tempo do Salazar o insulto campeava; havia jornais fascistas especializados em insultar os democratas: A Voz, o Novidades, o Agora, e muitos outros. Só que só os salazaristas é que podiam livremente insultar os democratas; estes não podiam dirigir a mínima crítica àqueles. Isto faz-me lembrar, e com isso termino, um poema do grande Alexandre O'Neill:
"-Esse chapéu-de-ir-aos-bancos
vai-lhe, Dr., a matar
no intérmino labor de falazar!
- Impertinente poetastro,
a que dislate se atreveu?
Não tens onde caír morto,
és da sinistra e ateu!
-Dr.,já cá não está quem falou."
Anónimo disse…
Por falar em atrasados mentais a ocupar cargos de responsabilidade no tempo do salazarismo, basta lembrar, logo para começar, o próprio Presidente da República, Américo Tomás!
Anónimo disse…
Eu sei que sou ingénuo, principalmente porque não consigo entender o facto pelo qual a maior parte das pessoas que viveram no estado novo elogiam-no.

Gostava mesmo que me explicasse. Eu acho que, ou eram todos previligiados, ou então, eram todos menos geniais que o genial "cidadão"!
Anónimo disse…
Além de ingénuo, é teimoso. Já estou farto de dizer e repetir que se o Salazar fosse apoiado pela maior parte dos portugueses não presisava de aldrabar as eleições, nem de ter uma censura à imprensa, nem de ter uma PIDE, nem de mandar assassinar os adversários políticos,nem de proibir os partidos políticos. Ora ele fazia tudo isso.Porquê? É óbvio que era porque sabia que não tinha o apoio da maioria da população. Será que isto é assim tão difícil de perceber? Quando Vexa. diz que "a maior parte das pessoas que viveram no Estado Novo elogiam-no" está a referir-se às pessoas que viveram no estado novo e que são suas conhecidas.Isso quer simplesmente dizer que não conhece a maioria das pessoas que viveram no Estado Novo; só conhece os tais "privilegiados". Mas não pode tomar a parte pelo todo. Eu vivi no Estado Novo e posso garantir~lhe que a enorme maioria das pessoas o detestava; aliás a alegria suscitada pelo 25 de Abril é a prova real disso mesmo; outra prova evidente disso é que, no 25 de Abril, não houve ninguém que defendesse o regime derrubado, a não ser meia dúzia de agentes da PIDE cercados na sua sede. Já percebeu?
Anónimo disse…
O meu caro amigo trate de me explicar por que razão, em pleno estádio da Luz, Marcello Caetano foi aplaudido por 120000 pessoas em pé? Não percebe que o povo age em "efeito de massa"?Sabe como foiu "deposto" Ceaucescu?
Olhe. Eu sei que vivo num país com tendências sul-americanas que está sempre aberto à mudança, é revolucionário.Vê na mudança a esperança que não encontra no dia-a-dia;é o dar tudo por tudo;é o tiro no escuro. Faz lembrar aquelas equipas de futebol que quando perdem despedem o treinador na esperança que a história mude e, claro que ela raramente muda...

O meu amigo pode desde já ficar a saber que baseei-me numa sondagem no ano passado divulgada pelo público e se quiser, no actual concurso, para referir que as pessoas que viveram a época do estado novo preferiam-no ao actual estado de coisas. Nessa mesma sondagem, apenas os jovens e adultos jovens o rejeitavam na sua maioria. Enfim, aqueles que não a viveram. Chega a ser caricato,não?
Como anteriormente afirmei, eu não estou contra nem a favor, porque isso me parece patético, do anterior estado de coisas. Tenho é a certeza de uma coisa: tudo o que tínha-mos de bom perdemos e melhoramos apenas o que tínha-mos de mal. Parece-me que era possível termos feito bem melhor. Tem noção que quase não podia dizer bem de Portugal no pós-25 de Abril sem ser conotado como fascista? Tem noção que ainda hoje, se disser que é conservador as ´pessoas em vez de isso ouvem "reacçionário"?
Não percebe que, quando estávamos a fugir de um extremo para o meio alguém apareceu d rompante e nos enfiou no outro extremo?

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