Li no excelente blogue De Rerum Natura , num post de Carlos Fiolhais , o seguinte: «De facto, o candidato a rei é autor de um opúsculo laudatório do Beato Nuno, onde se pode ler esta pérola: “Q uando passava de Tomar a caminho de Aljubarrota, a 13 de Agosto de 1385, D. Nuno foi atraído a Cova da Iria, onde, na companhia dos seus cavaleiros, viu os cavalos do exército ajoelhar, no mesmo local onde, 532 anos mais tarde, durante as conhecidas Aparições Marianas, Deus operou o Milagre do Sol» (“D. Nuno de Santa Maria - O Santo” , ACD Editores, 2005).»
Fiquei maravilhado com o que li e, sobretudo, por saber que o Sr. Duarte Pio escreve.
O Sr. Duarte Pio, suíço alemão, da família Bourbon, imigrante nacionalizado português pela conivência de Salazar e pelo cumprimento do Serviço Militar Obrigatório, podia emprestar a imagem às revistas do coração mas precaver-se contra a ideia de publicar opúsculos.
Claro que não é necessário saber falar para escrever e, muito menos, ...
Comentários
Só uma perunta: para além do sem fim caderno de intenções deste ainda (des) Governo Português, o que é com fundamentação e olhando em frente se fez?.
Deixamos a linear aplicação das leis e dos princípios da República para entrarmos em sinuosos caminhos diplomáticos.
Na verdade, será de temer o pior.
A Igreja vai evocar séculos de história, tradições, "o sentimento", etc.
Ninguém se vai lembrar que a implantação da República, há 97 anos, tinha, para além de muitas outras finalidades, a existência e funcionalidade de um Estado laico.
Uma regulamentação séria, e em conformidade com a separação do Estado da Igreja, das capelanias hospitalares (e já agora a das Forças Armadas) seria um óptimo tributo aos revolucionários de 5 de Outubro que, neste País, derrubaram a desacreditada, mundana e esbanjadora Casa de Bragança.
O PR que gosta de interrogar-se sobre o significado das cerimónias evocativas da história nacional (como fez na sessão do passado 25 de Abril) tinha aqui uma oportunidade soberana de ultrapassar o formalismo dos actos oficiais.
Içar a bandeira verde-rubra é simbólico.
Incitar os portugueses a honrar o espírito e a doutrina da República era mais importante, porque democraticamente mais pedagógico para os cidadãos e, simultaneamente, mais esclarecedor para as retrógadas pretensões da Igreja.
Enfim, temos o 1º. ministro que escolhemos e o PR que elegemos.
Vamos sempre exigir mais do que fazem, deviam fazer ou, tão simplesmente, não fazem, neste Estado que se quer democrático, mas também por isso, republicano e laico.
ehehhehe